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26/10/2020

Editorial - A desinformação que afeta a vida de todos

Editorial - A desinformação que afeta a vida de todos

Polarização política, desinformação, excesso de dados (vídeos, fotos, textos) cada vez mais têm sido parte do cotidiano de todos. Um levantamento feito pelo Reuters Institute e divulgado pelo Observatório da Imprensa, o  “Digital News Report 2019”, traz informações sobre como as pessoas do mundo inteiro se comportam diante da veracidade ou não dos conteúdos que recebem através das redes sociais. 

No Brasil, o levantamento  aponta que as pessoas possuem uma tendência maior em fazer parte de grupos de WhatsApp com muitos integrantes, inclusive com desconhecidos, uma tendência que reflete como os aplicativos de mensagem podem ser usados facilmente para compartilhar informações em larga escala, potencialmente encorajando a disseminação de desinformação.

Outro dado interessante do levantamento é a maior sociabilidade do brasileiro ganhando extensão também no mundo virtual, pois 58% dos usuários do WhatsApp fazem parte de grupos com desconhecidos contra apenas com 12% no Reino Unido. No Facebook os grupos também reúnem pessoas que não se conhecem e que compartilham desinformação sobre questões que apoiam. Isso porque o Facebook, o Google e o Instagram direcionam aos perfis dos usuários apenas conteúdos que seus algoritmos (inteligência artificial) indicam como condizentes com as opiniões daquelas pessoas. E conteúdos polêmicos e/ou falsos costumam gerar grande número de compartilhamentos, o que é um dos motivos que dificulta o combate às Fake News.

O  documentário “O dilema das redes”, lançado recentemente pela Netiflix, traz a visão de executivos que já atuaram no Google, Facebook e Twitter. São opiniões bem críticas sobre a intencionalidade das gigantes da tecnologia e os perigos causados pelas redes sociais. Isso porque os executivos apontam que estas empresas preocupam-se  apenas com o lucro e que os efeitos nocivos que o excesso de informações ou  que os conteúdos falsos trazem são simplesmente ignorados na grande maioria do tempo.  

Imersos em um mundo repleto de interações virtuais, reféns diante do excessivo poderio econômico de empresas de armazenamento e transmissão de dados, resta-nos ter precaução e cuidado para não naufragarmos num mar de desinformação, de Fake News, sobretudo agora, no período eleitoral, quando os ânimos já estão acirrados e a tendência é piorar nas próximas semanas.    

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