Distanciamento social e fé podem ser aliados?
A preocupação em evitar que o coronavírus seja disseminado inclui todas as instâncias sociais, inclusive as reuniões para as práticas religiosas, nas igrejas
Na guerra contra a Covid-19 duas grandes questões têm norteado a vida das pessoas: a fé e o cuidado com a saúde. A importância de manter em equilíbrio tanto o físico, como o espiritual e a responsabilidade individual diante dos números alarmantes da pandemia são discutidos por religiosos e profissionais de saúde.
“O distanciamento é, hoje, a forma mais sublime de viver o amor. Deus nos garante sua presença conosco. Precisamos ser igreja e cumprir com o que a saúde pública nos pede, tudo isso para o bem maior que é a vida do ser humano. A fé nos concede a graça de continuarmos, mesmo que tenhamos medo”, enfatiza o padre da matriz Nossa Senhora da Luz, Alexandre Spena Regueira.
O pastor que preside a Comunidade Alcance de Irati, Claudemir Barbosa Lourenço, argumenta que ciência e religiosidade não precisam se contrapor. Também defende que a igreja pode trazer o consolo necessário aos cristãos neste momento difícil, em que muitas famílias têm perdido ente queridos.
“A Bíblia nunca dispensou a ciência, e nós também reconhecemos a importância dos cuidados da saúde, a fé não coloca Deus à prova das coisas. Mas eu posso garantir que a igreja é a que pode trazer o maior consolo para as pessoas, é por isso que nós levantamos a demanda de não fechar as igrejas, pois às vezes fecham igrejas e abrem bares onde a chance de contaminação é muito maior. O vírus é perigoso, mas as pessoas não podem deixar a ansiedade e a depressão tomarem conta, pois essas situações também podem se agravar e afetar muitos fatores”, afirma o pastor.
A decisão do prefeito de Irati, Jorge Derbli, em relação ao retorno das atividades religiosas no último decreto municipal (decreto nº 240/2021, que permite as atividades religiosas com limitação de público de 30% da capacidade dos locais) foi em resposta a uma solicitação do Conselho de Pastores das Igrejas Evangélicas do Município, que defende que as atividades religiosas são práticas essenciais.
O Centro de Operações Especiais e de Fiscalização (COEF) de Irati reconhece o direito das pessoas em relação à religião, bem como a importância da espiritualidade, da fé, da aproximação com o divino, porém, frisa que o momento enfrentado por todos é muito delicado, em que a saúde da população encontra-se em risco, pois o vírus pode estar em todos os lugares.
O coordenador do COEF, Agostinho Basso, ressalta que as igrejas nunca foram fechadas. Em alguns períodos, as atividades foram suspensas, mas o atendimento individual sempre permaneceu e as celebrações sempre puderam ser feitas mesmo sem a presença dos fiéis. “As igrejas podem e devem estar abertas para o povo, para que os padres e pastores façam aconselhamento às pessoas. Mas os cuidados são necessários cada vez mais. Jesus mesmo disse que quando fores orar entra no teu quarto, fecha a porta e ore ao Pai, que ele vai te ouvir. Sabemos que a comunidade reunida também é importante, mas neste momento o mais prudente é ter no máximo 30% da capacidade ou menos, se possível. O vírus é extremante contagioso, causa outras doenças graves, é letal e pode estar em todos os lugares, seja nas igrejas, no comércio ou nas festas”, disse Basso.
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