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02/03/2021

Como vão funcionar os colégios cívico-militares na região?

Quais serão os diferenciais destas instituições de ensino e como as escolas foram preparadas para o novo modelo, quando houver o retorno híbrido das aulas na rede estadual

Como vão funcionar os colégios cívico-militares na região?

Quando as aulas na rede estadual de ensino do Paraná retornarem em sistema híbrido,  além do novo modelo – que terá aulas presencias e remotas –, outra novidade será o começo das atividades dos colégios cívico-militares. Os municípios da região terão 7 colégios cívico-militares, mas as pessoas ainda se perguntam como será o funcionamento desses estabelecimentos de ensino.

Para entender o que muda nessas escolas de Irati, Inácio Martins, Prudentópolis, Mallet, Rio Azul e Rebouças e como está a organização da volta às aulas, a equipe do Hoje Centro Sul acompanhou os últimos preparativos no Colégio Estadual João de Mattos Pessoa, que é um dos dois colégios cívico-militares de Irati e fez reuniões com os pais para esclarecer dúvidas.

O Colégio João de Mattos tem 360 alunos matriculados, dos quais 176 deverão frequentar as salas de aula em sistema híbrido – quando for possível –, de acordo com a nova diretora do colégio cívico-militar, Marisa Retzlff Milleo. Os demais estudantes não tiveram a autorização dos pais para estarem presencialmente na escola e continuarão apenas em casa, assistindo as aulas de forma remota, como no ano passado.

Marisa relata que alguns pais estavam ansiosos para o retorno dos filhos às aulas presencias e outros ainda não se sentem seguros em enviá-los para a escola, devido à pandemia de Covid-19.  “Eles tinham essa opção de querer mandar o filho ou não, e precisavam assinar o termo de compromisso. Então nós só vamos aceitar o aluno, no colégio, que os pais tenham assinado esse termo de compromisso”, explica a diretora.

Reuniões foram organizadas com os pais nos últimos dias para explicar as medidas de segurança que já foram tomadas para evitar a contaminação pelo coronavírus e o que deve ser parte da rotina dos alunos, como uso de máscaras e evitar contato com os colegas.

Juliana Aparecida de Almeida é mãe de Lilian de Almeida, de 11 anos, e participou da reunião no Colégio João de Mattos. Ela disse que está tranquila com a volta da filha à sala de aula. Eliton Silvio Lopes também esteve na reunião e opina que o retorno será bom para a filha Emili Lopes. “É mais fácil para ela aprender na escola, em casa é difícil”, disse.

Já a mãe de Cauã e Josiel Henrique Fernandes Cordeiro ainda está em dúvida se os filhos frequentarão a escola no sistema híbrido ou assistirão as aulas em casa nos próximos meses.  “Até o dia 08 eu estava decida a não mandar para o colégio, pois são muitas dúvidas. Então pensei, vamos lá, vamos conversar para saber como vai ser, porque a gente se preocupa”, disse Cassiane Josieli Fernandes. Ela elogia a forma como o colégio está se preparando para o retorno as aulas, mas ainda não sabe que decisão irá tomar.

Nas salas de aula do Colégio João de Mattos as carteiras foram dispostas com um  espaçamento de um metro e meio, o que faz com que cada sala comporte entre  10 e 12 alunos, segundo a diretora. Também houve escalonamento dos horários de entrada e saída por turma. “Na entrada, vai ser aferida a temperatura de cada aluno, vai ser passado álcool gel neles e a escola já está quase toda montada, demarcada, para receber os alunos. Então, com todos esses cuidados, nós estamos seguindo as orientações da SESA [Secretaria de Estado da Saúde]”, relata Marisa.

No intervalo, haverá outras restrições. Por turmas, os alunos serão liberados e terão que pegar o lanche, sentar em uma carteira que estará na área externa da escola para comer e, logo depois, retornar para as salas de aula. “Então não vai ter mais aquele contato que eles tinham na hora do recreio, de brincar, jogar bola, ficar conversando”, explica a diretora.

Também foram interditados bebedouros, demarcados espaços para que seja mantido o distanciamento em bancos no pátio da escola, instalados tubos de álcool em gel na parede, nas entradas das salas, dentre outras medidas, conforme o protocolo de segurança da SESA.  

Mudanças

Em relação às escolas regulares, a principal diferença dos colégios cívico-militares é a ampliação da matriz curricular, que passará de 800 horas-aula por ano letivo para 1.000 horas-aula por ano letivo, ou seja, o aluno terá uma aula diária a mais. Além disso, os alunos das escolas cívico-militares contarão com aulas semanais de outras disciplinas que não constam nas demais instituições e terão um manual de conduta, com normas disciplinares a seguir.

O chefe do Núcleo Regional de Educação (NRE) de Irati, Marcelo Fabricio Chociai Komar, relata que a aceitação desses colégios foi muito boa nos municípios da região Centro Sul. “Para os colégios militares houve uma procura muito grande pela comunidade, a comunidade queria mesmo essa mudança. Claro que eu respeito muito os colégios regulares. Tudo é uma construção, nós temos que trabalhar sempre juntos, sempre com harmonia”, defende.

De acordo com o chefe do NRE, há mais de quatro mil alunos matriculados nos sete colégios cívico-militares da região – Colégio Estadual Parigot de Souza, em Inácio Martins; Colégios Duque de Caxias e João de Mattos Pessoa, em Irati; Colégio Estadual Nicolau Copérnico, em Mallet; Colégio Estadual Barão de Capanema, em Prudentópolis; Colégio Estadual Professora Maria Ignácia, em Rebouças;  e Colégio Estadual Afonso de Camargo, em Rio Azul. Komar destaca que o maior colégio é o Barão de Capanema, com 1.027 alunos e em segundo lugar o  Parigot de Souza e  que os demais colégios têm em média 400 alunos.

Para gerir os colégios cívico-militares houve um processo seletivo para escolha dos diretores civis. “Foi feito, no ano passado, todo um trabalho de credenciamento dos diretores. Foram credenciados pelo Núcleo e não somente pelo Núcleo como validados pela Secretaria de Estado da Educação (Seed) em novas entrevistas”, conta o chefe do NRE.

Marisa Retzlff Milleo, que foi selecionada para a direção do Colégio João de Mattos Pessoa, detalha que o processo seletivo incluiu a elaboração de um Plano de Gestão para a Escola, um vídeo, análise do currículo e entrevistas por uma banca do NRE e, depois, por uma banca da Seed.

Já os diretores militares (da reserva), que atuarão em conjunto com os diretores civis, têm que ter, no mínimo, a patente de 3° Sargento e podem ser até Coronéis. Os processos para a designação destes profissionais às escolas estão sendo feitos pela Secretaria de Estado de Segurança Pública do Paraná e independem dos núcleos regionais de educação. 

“Estamos aguardando ainda a vinda dos militares, teremos um diretor militar que vai trabalhar junto comigo e dois monitores”, afirma a diretora do Colégio João de Mattos. Segundo ela, a expectativa é de que a partir do mês de maio estes profissionais já possam estar atuando na escola.

Além do apoio dos militares, também houve mudanças pedagógicas. Serão seis aulas diárias, e não cinco como nas demais escolas, além de novas disciplinas. “Mudou o currículo também. Então para o ensino médio nós temos duas disciplinas a mais, educação financeira e cidadania e civismo; para o ensino fundamental, cidadania e civismo, que foi incluída mais esta disciplina na grade”, conta Marisa.

Outra diferença é em relação ao padrão de conduta exigido. “A questão das normas mudou, tem mais normas que os alunos terão que seguir, já veio esse manual que nós ainda não disponibilizamos para os pais, mas que na sequencia a gente vai disponibilizar, à medida que os alunos venham”, relata a diretora. Segundo ela, este manual será trabalhado na disciplina de cidadania e civismo com os alunos.

Uniforme

De acordo com Marisa, uma das principais dúvidas dos pais foi quanto aos uniformes. Ela explica que cada aluno receberá três conjuntos diferentes de uniforme, que deverão chegar no mês de maio.

“Então o aluno irá receber três uniformes do Governo do Estado: um  uniforme padrão para ele usar no dia a dia, um uniforme para ele usar na educação física e a farda para os eventos e cerimônias”, relata a diretora do Colégio João de Mattos.

Transporte

No transporte escolar, segundo o chefe do NRE, haverá “a segurança necessária e suficiente para os nossos estudantes”. Segundo ele, será feito um escalonamento do uso dos ônibus para que seja mantido o distanciamento.

Marcelo Komar agradece a parceria com os prefeitos para o transporte escolar e conta que o presidente da Associação dos Municípios do Centro Sul do Paraná (Amcespar), Júnior Benato, está participando das discussões com a Fundepar para o custeio do transporte.  

 

46% dos alunos participarão do ensino híbrido

De acordo com o chefe do Núcleo Regional de Educação (NRE) de Irati, Marcelo Komar, nos nove municípios que fazem parte do NRE cerca de 46% dos pais optaram por enviar os filhos para as escolas (regulares ou cívico-militares) para participar do sistema híbrido. A pesquisa com os pais foi feita antes do decreto estadual que paralisou as atividades não essenciais em todo o estado entre os dias  27 de fevereiro e 8 de março. Pode haver alterações.

Os outros 54% dos pais optaram que os filhos permaneçam em casa, tendo aulas online, como no ano passado.

Devido ao decreto, atualmente  todos os estudantes da rede estadual de ensino estão tendo aulas remotas.

 

Texto/Foto: Letícia Torres/Hoje Centro Sul

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