facebook
31/05/2021

Como continuar vivo e com saúde mental?

Como continuar vivo e com saúde mental?

Mais de 118 pessoas que não têm mais a oportunidade de continuar a abraçar os familiares, comer uma pipoca com os filhos, tomar uma cerveja com os amigos, participar daquela festa de aniversário, trabalhar e se sentir útil, importante. Pessoas cuja trajetória foi interrompida precocemente pela pandemia. Que de um dia para o outro descobriram que haviam sido infectadas pelo Coronavírus, foram para uma unidade de atendimento de saúde e, desde então, não viram mais os familiares, os amigos. Tiveram complicações em virtude da doença e simplesmente morreram.

É difícil de aceitar que tantas famílias vivenciem esta experiência. Tão difícil que a reação de negação aos fatos extraordinariamente desagradáveis é  real como o vírus.  Faz parte do mecanismo psicológico de autodefesa do ser humano negar aquilo que causa dor excessiva, que não é capaz de assimilar e interiorizar.

A maturidade que traz aceitação e coerência de atitudes é conquistada com o processo de evolução, de autoconhecimento, que requerem tempo, energia e interesse para alcançar. Nem todos estão preparados ou dispostos para tanto. Negar a pandemia, enxergar e ficar deprimido ou querer uma solução mágica, imediata, são atitudes mais simples e espontâneas. São reações instintivas que todos podem ter. Entretanto, quando prolongadas, estas atitudes emocionais apenas agravam a crise protagonizada pelo vírus.

De um lado, os negacionistas, que querem continuar vivendo normalmente, como se nada estivesse acontecendo, como se fossem imunes à doença, verdadeiros “super-heróis”, que deixam as autoridades de saúde aterrorizadas. No outro extremo, os depressivos, que paralisam diante da ameaça, que vivem em um estado de ansiedade e medo por superestimarem a doença. Nem saem de casa, mas também não se cuidam como deveriam. Não mantém o hábito de usar o álcool em gel, a máscara e, principalmente, o distanciamento de familiares que, uma hora ou outra, acabam vindo visitar e mantém o contato físico que faz parte da cultura brasileira, que inclui abraço, beijo, proximidade. Esta proximidade que tanto faz falta em diferentes tipos de atividades, como relata uma de nossas reportagens.

Encontrar um lugar de equilíbrio entre estes dois extremos é o maior desafio do momento atual. Continuar vivendo, entendendo que as restrições e cuidados são imprescindíveis é uma tarefa árdua. A certeza de que a pandemia é temporária e a fé na superação desse momento difícil motivam a realização desta tarefa árdua, que tem como objetivo continuar vivo e com  saúde mental.  

Texto: Letícia Torres

COMENTÁRIOS