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31/07/2020

Colocar a mão na massa e fazer as reformas em casa tem sido uma boa opção na pandemia

A cultura do “faça você mesmo” está em alta e tem movimentado o segmento da construção civil na região Centro Sul nos últimos meses

Colocar a mão na massa e fazer as reformas em casa tem sido uma boa opção na pandemia

A maioria das pessoas passou a ter mais tempo livre em casa nos últimos meses. De modo geral, a pandemia do novo coronavírus limitou o contato social, reduziu o volume de trabalho e ampliou o convívio familiar. Ao permanecer mais em casa, os reparos necessários saltaram aos olhos e as melhorias para deixar o ambiente mais agradável começaram a ser planejadas.  Pequenas reformas, serviços de marcenaria, decoração e paisagismo passaram a integrar o cotidiano de muitas pessoas, que têm colocado a mão na massa para fazer os reparos e melhorias. 

Elisângela Alves de Jesus é uma delas. Junto com o esposo Cleber Roberto Jonsson, ela já reformou os móveis da cozinha, ampliou a quantidade de armários para ter mais espaço para acomodar os utensílios domésticos e está alterando o design na sala. Uma textura está sendo feita em uma das paredes para que o espaço ganhe um visual mais moderno.

Ela conta que a ideia deles mesmos fazerem as melhorias em casa surgiu “para utilizar o tempo livre e, principalmente, devido aos altos custos da contratação de mão de obra”.

Assim como Elisângela e Cleber, muitas outras pessoas têm se dedicado às pequenas obras e serviços em casa. Nas redes sociais são inúmeros os vídeos e grupos que têm retomado a cultura do “faça você mesmo” (“do it yourself”), prática muito antiga e comum em vários países do exterior desde 1950, que foi repaginada a partir de 2005 nos Estados Unidos, como o movimento Maker. No Brasil, esta cultura tem se popularizado ao longo dos anos e, nos últimos meses, o tempo a mais em casa que a pandemia trouxe está sendo um estímulo para a prática.

O reflexo disso pode ser percebido nas lojas de materiais de construção de Irati e região, onde cresceu a procura por produtos necessários para as reformas domésticas. Segundo Izaías Salamaia, nas duas lojas de materiais de construção da família, localizadas em Irati, “a partir da segunda semana do mês de abril aumentaram as vendas de ferramentas e materiais usados em pequenas reformas”.  Ele contabiliza aproximadamente de 15% de crescimento na comercialização destes produtos no período.

Já a proprietária da empresa Pinheirão Materiais de Construção, com sede em Fernandes Pinheiro e filial em Irati, Vanusa de Fátima da Silva, cujo perfil principal de venda são os “materiais brutos”,  como areia, pedra e cimento, disse que as vendas se mantiveram estáveis desde que a pandemia começou. E, na comparação do primeiro semestre de 2020 com o mesmo período do ano anterior, houve queda segundo a empresária. Mas, considerando todos os fatores que impactaram na economia, ela não reclama. 

“Pode-se dizer que conseguimos nos manter estáveis durante todo o período [de pandemia]. Com a economia do país instável, fechamento do comércio, índice de desemprego alto, dólar em alta, muitos fatores impactam o setor civil, mas graças a Deus conseguimos atingir bons resultados”, diz Vanusa.

Pinturas e manutenções

Muitas pessoas perguntam aos funcionários das lojas de materiais de construção como executar pequenos serviços em casa, seja para economizar com mão de obra ou porque aqueles que atuam na construção civil os não executam.

Quem nunca combinou um serviço doméstico com um pedreiro, encanador, eletricista ou marceneiro e este profissional simplesmente não apareceu na data e horário combinados para realizar a manutenção?

Izaías Salamaia conta que é comum os clientes pedirem ajuda sobre como executar certos serviços de baixa complexidade, o que já acontecia antes da pandemia. “Por exemplo, para se trocar somente uma torneira (serviço de baixa complexidade), não há o interesse dos encanadores, por se tratar de um serviço de baixo valor agregado, aí os clientes partem para o ‘faça você mesmo’”, diz.

Vanusa de Fátima da Silva confirma que também recebe a solicitação de dicas pelos compradores de itens como lajotas, torneiras, fechaduras, dentre outros itens.  “Nossos clientes sempre perguntam alguma instrução de uso ou instalação dos produtos”, conta.

Segundo ela, quanto aos serviços de pintura, a execução pelos próprios moradores também  é uma prática que antecede a pandemia. “Os materiais já estão vindo cada vez mais práticos para uso dos consumidores, porém essa tendência não veio decorrente da pandemia, já observamos há tempos em nossa comunidade”, diz.

Gosto pelas reformas

As restrições ao convívio social, a redução da jornada de trabalho e a crise econômica são algumas das questões decorrentes da pandemia do novo coronavírus que abalam o equilíbrio emocional e trazem ansiedade, insegurança, medo, estresse, dentre tantos outros reflexos negativos. Diante disso, especialistas em saúde mental – psiquiatras e psicólogos –, orientam as pessoas a buscarem algo que tenha sentido individual para elas, estudar ou se aperfeiçoar em uma atividade que traga bem estar e ocupe o tempo livre. Colocar em prática algum projeto para o qual não se tinha tempo anteriormente, ou buscar algo novo e motivador.

Elisângela Alves de Jesus encontrou esta motivação nas reformas domésticas e relata como está sendo a experiência, que inclui a superação de dificuldades.  “É sempre um aprendizado, no começo sempre tem algumas dificuldades, mas depois vem a satisfação de ver o trabalho concluído pelas próprias mãos. E isso motiva a fazer mais”, afirma.

Tanto que além de cuidar da própria residência, ela e o esposo também auxiliam parentes a fazerem obras, como a colocação de revestimento em cerâmica na cozinha da casa de um familiar. O serviço nunca havia sido feito pelo casal, que foi pesquisando como assentar as lajotas e, ao final, o resultado foi ótimo.

A internet tem sido umas fontes de pesquisa de Elisângela e Cleber. Local onde eles também pesquisam preços.  Quando compensa ou quando não encontram os materiais que querem em Irati, eles compram online, como fizeram com as formas para fazer a textura em gesso na parede da sala.

Questionada se indicaria aos amigos para que também tentem fazer alguns serviços de reforma e manutenção doméstica sozinhos, Elisângela é enfática na resposta. “Sim, com certeza, pois o custo é mais baixo e a satisfação é grande”, finaliza.

Construção Civil em alta

Além das pequenas reformas domésticas que têm ajudado a movimentar o comércio local, o segmento da construção civil está em alta no Paraná, colaborando para a geração de empregos no estado – teve saldo positivo com a criação de 2.829 vagas em junho.

 Os dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) divulgados pela Secretaria do Trabalho, do Ministério da Economia,  na terça-feira (28), revelam que, no Paraná, os setores da construção civil e do agronegócio contrataram mais do que demitiram no mês de junho. A construção civil teve saldo positivo de 7.400 novas contratações, assim como o agronegócio, que abriu 2.600 novas vagas.

No Brasil, o agronegócio e a construção civil tiveram o melhor desempenho entre todas as atividades econômicas no mês de junho. O primeiro abriu 36,8 mil postos, enquanto a construção abriu 17 mil e 270 novas vagas. A indústria fechou 3.500; comércio 16 mil e 600; e, serviços, quase 45 mil.

Legenda foto principal: Elisângela e o esposo trabalham no segmento de transporte escolar e desde a paralisação das aulas presenciais, no final de março, o casal tem dedicado parte do tempo para fazer reformas em casa.

Legenda fotos revestimento em cerâmica : A troca do revestimento em cerâmica da cozinha de uma familiar um dos trabalhos já executado pelo casal. 

Texto: Letícia Torres/Hoje Centro Sul

Fotos: Thainá Ferreira/Hoje Centro Sul

Fotos cerâmica: Cleber Roberto Jonsson

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