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07/05/2021

Cinco gerações de mulheres iratienses comemoram juntas o Dia das Mães

Família formada por cinco mulheres que vivem unidas e zelam pelo cuidado entre elas. Ana Remes Stackiw é a matriarca dessa família, que reside no distrito de Guamirim, área rural de Irati

Cinco gerações de mulheres iratienses comemoram juntas o Dia das Mães

Para homenagear todas as mães, neste dia 09 de maio, Dia das Mães, apresentamos a história de cinco gerações de mulheres que comemoram a data juntas, em Irati. Ana Remes Stackiw é a matriarca da família, e completa 88 anos de idade no próximo dia 10. Sua família veio da Ucrânia para o Brasil, fugindo da 2ª Guerra Mundial e se instalou na localidade de Guamirim, interior de Irati.

Ana Remes Stackiw nasceu em Guamirim e teve a filha Maria Terezinha Stackiw. Ana também teve mais duas filhas, além de dois filhos que já faleceram. Ela ficou viúva aos 35 anos de idade e não se casou mais. Atualmente, Ana está com Alzheimer e é cuidada pela neta Márcia, filha de Maria Terezinha.

Márcia é mãe de Kayolaine Amaral, que é bisneta de Ana, e Kayolaine é mãe de Nicoly Amaral Rigoni, que é a trineta de Ana.

As cinco mulheres moram na mesma propriedade e não são casadas.  Maria Terezinha e Márcia são viúvas, assim como a matriarca Ana. Kayolaine é solteira e mora em uma casa ao lado de Ana, mas Nicoly fica com a vó Márcia. Nessa família de cinco mulheres, cada integrante cuida das demais. “Essa é a nossa missão de vida, cuidamos uma das outras”, disse Márcia.

Como as cinco mulheres moram praticamente todas na mesma casa, o Dia das Mães será comemorado entre elas. Quando não havia pandemia e todos os filhos eram vivos a família toda se reunia na casa de Ana, mas neste ano a comemoração será mais restrita.

Sobre Ana Remes Stackiw

Ana Remes Stackiw sobreviveu a três mordidas de cobra, já foi atingida por um raio e na época a solução foi ficar enterrada por 24h, somente com a cabeça para fora.

Ela se alfabetizou com ajuda da neta Márcia, por meio de um programa em que os alunos poderiam levar as pessoas da família que não fossem alfabetizadas. Ana aproveitou a oportunidade e aprendeu a ler e escrever.

“Minha vó sempre foi muito humilde, trabalhou na roça, foi empregada doméstica e sempre fez seus crochês. Sempre católica e ajudou muitas crianças com problemas para andar, pois também foi benzedeira. Ajudou a curar bronquite, sapinho e derramava cera”, conta Márcia.

Márcia foi criada pela avó Ana porque sua mãe, Maria Terezinha, precisava trabalhar, pois sustentava a filha sozinha.

Muito unidas, as mulheres da família Stackiw acreditam que a identidade familiar é o cuidado entre elas e a luta como mulheres independentes.

Herança ucraniana

Márcia teve contato com a Língua Ucraniana até os 12 anos de idade. Depois, aos poucos o idioma deixou de ser utilizado em casa e as integrantes da família foram perdendo o contato com a língua. 

Na culinária, foi diferente. Ana ensinou suas filhas e netas a fazer pierogue, com uma receita única e sabor especial que carrega a tradição culinária da família. Márcia faz pirogues para vender e, até hoje, usa a receita da “vó Ana”.

“Minha vó é uma mulher de fibra, sempre guerreira, de coração grande, ajudava a todos. Quando os netos nasciam ela abandonava a casa dela e ia cuidar na quarentena de filhas e noras, só voltava quando a dieta terminava”, relata Márcia.

Texto: Cibele Bilovus

Fotos: Divulgação

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