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Edição 1230 - Já nas bancas!
19/06/2020

Apenas 18% dos pecuaristas da região já fizeram a atualização do rebanho obrigatória

A atualização é obrigatória para o controle da sanidade animal, pois o Paraná buscará em 2021 o reconhecimento internacional como estado livre da febre aftosa sem vacinação.

Apenas 18% dos pecuaristas da região já fizeram a atualização do rebanho obrigatória

Nos municípios que fazem parte da Unidade Regional de Sanidade Agropecuária de Irati (Adapar) há 6.467 propriedades rurais que possuem rebanhos e precisam ter as informações sobre bovinos, suínos, ovinos, caprinos, equinos, dentre outros animais, atualizadas. Destas propriedades, apenas 1.165, ou seja, 18%, já fizeram a atualização, que é obrigatória.

“Desde o ano passado, quando o Paraná se tornou livre de febre aftosa sem vacinação, os meses de maio e novembro, que eram os meses de vacinação, foram estabelecidos para serem meses de atualização do rebanho”, explica a veterinária e fiscal agropecuária Cristina Bittencourt, que é a responsável pela Unidade da Adapar de Irati. Segundo, ela, em novembro de 2019 o procedimento aconteceu normalmente, entretanto, neste ano a pandemia alterou a forma da realização do procedimento já no mês de maio. 

“Chegando a maio deste ano, com esta pandemia, cogitou-se cancelar [a atualização de rebanho], mas o Ministério da Agricultura não aceitou, falou que tem que ter. Então eles inventaram uma forma diferente, eles resolveram fazer uma campanha, uma só, que começou em maio e vai se estender até novembro. Então a gente tem todos esses meses para o produtor fazer a atualização”, relata.

Devem entregar a documentação na Unidade da Adapar de Irati pecuaristas dos municípios de Irati, Inácio Martins, Imbituva, Ivaí, Guamiranga, Teixeira Soares, Fernandes Pinheiro, Rebouças, Rio Azul e Mallet. Eles terão que informar os animais que nasceram, os animais que morrem, os que foram abatidos na propriedade e os comercializados.

“Precisamos ter esta quantidade de animais bem certinha, para fazer as nossas vigilâncias, porque agora que o Paraná é livre [de febre aftosa] sem vacinação, os animais que nasceram de maio para cá estão sem a vacina, então eles não tem a imunidade que nem os outros tinham, e por isso temos que ter um controle sobre o trânsito animal, que é justamente para o caso de suspeita ou confirmação da doença, a gente agir com a maior rapidez possível, e controlar este possível foco”, explica a veterinária e fiscal agropecuária.

Para aliar essa necessidade de ter os dados atualizados sobre os rebanhos do Paraná  para assegurar que o Estado realmente está livre da febre aftosa sem vacinação e as medidas para o enfrentamento à pandemia de coronavírus, além da campanha de atualização de rebanhos ser contínua entre os meses de maio e novembro, também ocorreram alterações nos meios de recebimento e entrega dos formulários.  

Agora, todo procedimento deve ser feito online pelo próprio produtor, direto no site da Adapar. “Só que existem algumas limitações aqui na nossa região, nem todos tem acesso à internet, e realmente é meio difícil ali [no site], porque tem que fazer uma inscrição na central de segurança do Estado”, comenta Cristina. Diante dessa realidade, uma forma alternativa de atualização foi definida pela Unidade da Adapar de Irati. Foram deixados formulários nas lojas veterinárias para que o produtor preencha, faça uma foto e envie por WhatsApp para a Adapar.

“A orientação é que o produtor, o dia que vier na cidade, passe em uma destas lojas, pegue este comprovante de atualização em branco, leve para o sítio, daí ele deve olhar os animais com calma para ele saber classificar bem certinho”, explica a veterinária e fiscal agropecuária. É preciso cadastrar separadamente cada animal da propriedade por idade e por macho e fêmea. Depois de preencher o documento, segundo Cristina, o produtor  “assina põe a data e aí quem tem o whatsApp, que muitos produtores já tem hoje, tira uma foto e manda para nós. Aqueles que não têm [whatsApp], podem pedir para um vizinho ajudar, ou então, em um outro dia que vier para a cidade, bater ali no portão [da Adapar] e entregar, que nós estamos fazendo só expediente interno, mas a gente não vai se negar a receber este tipo de declaração”.

A responsável pela Adapar em Irati ainda cita que é possível esperar a pandemia passar e fazer a declaração presencialmente, na sede de entidade, mas como não há previsão de quando será possível voltar a oferecer o atendimento presencial, a recomendação é que os produtores façam a atualização usando as demais formas disponíveis.

Atendimento

A Adapar de Irati possui quatro unidades veterinárias: Irati, Rio Azul, Teixeira Soares e Imbituva. Na de Irati também são atendidos os pecuaristas de Inácio Martins. Na unidade de Rio Azul, também são atendidos pecuaristas de Rebouças e Mallet. Na de Teixeira Soares também são atendidos pecuarista de Fernandes Pinheiro. Na de Imbituva são atendidos também produtores rurais de Guamiranga e Ivaí. 

Quando as atualizações de rebanho são entregues pelos produtores, os técnicos da Adapar comparam os dados apresentados com as informações que constam no sistema, referentes aos últimos documentos entregues. Caso sejam identificadas divergências de dados, os pecuaristas são questionados e orientados a refazer o documento, anotando, por exemplo, que um animal morreu ou foi abatido na propriedade.

Segundo a responsável pela Adapar de Irati toda documentação entregue pelos produtores fica arquivada. Caso o Ministério da Agricultura decida fazer auditoria, tem tudo disponível.

Vigilância

A Unidade Regional de Sanidade Agropecuária de Irati (Adapar) monitora constantemente as propriedades que têm maior risco de contato de seus rebanhos com doenças. 

A administradora, técnica em agropecuária e assistente de fiscalização da Adapar, Maria Elaine Simão Machado explica que são seguidos os critérios do  Programa Nacional de Controle e Erradicação da Febre Aftosa para a vigilância ativa.

“São critérios de movimentação de animais, propriedades com maior movimentação, esses sistemas de atividades tradicionais [faxinais] onde tem contato de várias espécies dentro do mesmo espaço, propriedades que fazem divisa com aterro sanitário, propriedades que fazem divisa com reservas ambientais, parques ambientais (por causa dos animais silvestres), propriedades que fazem divisa com frigoríficos; então nestas propriedades a gente tem uma vigilância ativa maior, porque elas têm um risco maior de ter alguma doença, como no caso da febre aftosa e doenças vesiculares”, explica. 

Sem vacinação, a carne tem mais valor 

O controle rigoroso sanidade animal afeta diretamente o valor pago pela carne produzida no Paraná na hora da exportação. Isso porque os países que pagam melhor pela carne querem ter a certeza de que não irão levar o vírus da febre aftosa para seus territórios.

Em maio do ano passado, o Paraná foi declarado livre da febre aftosa sem vacinação nacionalmente e em maio de 2021, o Ministério da Agricultura deverá pedir o reconhecimento internacional do Estado como livre febre aftosa junto a Word Organisation for animal Health (OIE), que é a Organização Internacional de Saúde Animal.

 “Estamos com muita esperança que o Paraná seja reconhecido internacionalmente, o que vai beneficiar não só a cadeia da carne bovina, mas a carne de suínos, principalmente, pois tem muitos países que não compram ainda do Brasil, do Paraná no caso, porque têm medo de levar para lá o vírus da febre aftosa na carne de suíno, porque o suíno não é vacinado, eles acreditam que quem vacina é porque ainda tem vírus, eles têm medo”, diz Cristina. 

A responsável pela Adapar acredita que o aumento da confiança na pecuária do Paraná pelo mercado externo deve beneficiar além da carne de gado, a exportação de carne de frango, de carne de porco e até de grãos. O reconhecimento internacional de que não há mais nenhum risco de contaminação pela febre aftosa poderá motivar o aumento do volume de exportações e a valorização dos produtos agropecuários.

Como atualizar o rebanho

De acordo com a veterinária e fiscal agropecuária Cristina Barra do Amaral Bittencourt, existem três formas do produtor fazer a atualização do rebanho:

-Entrar no site da Adapar (www.produtor.adapar.pr.gov.br/comprovacaorebanho), se cadastrar e fazer a atualização on line;

- Pegar a ficha para o preenchimento da atualização de rebanho em uma loja veterinária de Irati, preencher na propriedade e enviar uma foto do documento para o WhatsApp da Adapar;

- Vir presencialmente declarar, depois que passar a pandemia (desde que a pandemia termine antes de novembro, que é o prazo limite para a entrega). 

WhatsApp para enviar a atualização

A Adapar de Irati possui quatro unidades veterinárias: Irati, Rio Azul, Teixeira Soares e Imbituva. Todas recebem a atualização de rebanho pelo WhatsApp. Confira os números dos WhatsApps:

- Irati - 3421 3504

- Teixeira Soares – 3460 1830

- Imbituva – 3436 1921

-Rio Azul – 3463 1560

Quem não atualizar o rebanho não poderá tirar a GTA

A Guia de Trânsito Animal (GTA) é um documento obrigatório para qualquer tipo de transporte de animais entre as propriedades rurais ou das propriedades para empresas que compram os animais para o abate.

A veterinária e fiscal agropecuária Cristina Bittencourt frisa a importância de que os pecuaristas sempre emitam a GTA. “Porque se não tivermos o controle de trânsito fica muito difícil  em uma suspeita, não só de febre aftosa, mas também de outras doenças, de tentar fazer o controle. A gente tem que saber de onde veio e para onde foi”, diz.

Com esses dados, a vigilância epidemiológica poderá investigar rapidamente  qualquer suspeita de doença e zelar pela sanidade animal na região. Além disso, quem transporta animais sem a GTA está sujeito a multa, caso seja parado em uma fiscalização. 

O  produtor que não fizer a atualização de rebanho até o final de outubro não receberá mais a GTA. “Até dia 31 de outubro, quem não fez, aí vai cortar a emissão de GTA, então eles vão se obrigar a fazer esta atualização”, finaliza a veterinária.

Texto: Letícia Torres/Hoje Centro Sul

Foto: Agência Estadual