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08/09/2020

Acidente fatal motiva discussões sobre segurança e parada de trens na área central de Irati

Acidente fatal motiva discussões sobre segurança e parada de trens na área central de Irati

 

 

 

 

 

Operadora de ferrovias Rumo se manifesta sobre o acidente que ocorreu nesta semana e sobre a parada dos trens interditando o trânsito na área central da cidade. Comandante do Corpo de Bombeiros expõe números dos acidentes envolvendo pedestres e ciclistas registrados em Irati e orienta sobre segurança no trânsito em geral, inclusive nas travessias da linha férrea

 

 

Nesta semana, a morte de uma pedestre atropelada pelo trem na área central de Irati trouxe à tona a necessidade de discussão sobre segurança no trânsito, que envolve todos os tipos de veículos, ciclistas e pedestres.

Em Irati, aproximadamente 17% dos acidentes de trânsito atendidos pelo Corpo de Bombeiros em 2019 foram atropelamentos de pedestres e colisões contra ciclistas. A estatística inclui os 294 acidentes de trânsito em que os bombeiros foram acionados, dos quais 29 atropelamentos e 21 acidentes envolvendo ciclistas.

Neste ano, com a pandemia e a redução da circulação das pessoas, também diminuiu o número de acidentes no município. De acordo com a comandante do 3º Subgrupamento de Bombeiros de Irati, 1º tenente Keyla Karas Soltes, no ano passado, já tinham sido registrados 203 acidentes de trânsito até o dia 02 de setembro. Neste ano, no mesmo período, são 162 acidentes de trânsito atendidos pelos bombeiros, dentre os quais 7 atropelamentos e 7 colisões contra bicicletas. Com isso, caiu para 12,9% o percentual de acidentes dos tipos atropelamentos de pedestres e colisões contra ciclistas.

Mesmo com a diminuição do número de acidentes, cada caso é marcado por traumas, sequelas ou vítimas fatais, como a professora Elinete Fátima Palhiano Cosmo, de 56 anos, que perdeu a vida na segunda-feira (31).

Como o trem é uma composição grande,  o operador não tem visibilidade do todo, enfatiza a comandante do 3º Subgrupamento de Bombeiros, explicando os riscos da travessia entre os vagões.  “A passagem no meio da composição é totalmente contraindicada. Deve-se buscar sempre local para trafegar fora da composição, nunca passar entre os vagões, buscar sempre os locais que são indicados para isso, para essa travessia de pedestre, e observar também sempre os sinais sonoros e luminosos”, afirma Keyla.

Ela também orienta os pedestres a não correrem, não tentarem passar rapidamente ao visualizarem a locomotiva.  “Porque a pessoa, às vezes, está com pressa e quer passar antes que o trem venha, pode causar acidente, pode causar a queda da pessoa”, diz.

Para os condutores de veículos também vale a recomendação de cautela. Caso a composição esteja visual, a tenente sugere que não se faça a travessia, pois podem ocorrer falhas mecânicas ou erros no cálculo do tempo necessário.  “Verificou por meio dos sinais sonoros ou luminosos que o trem está se aproximando, então o ideal é que aguarde mesmo, tem que ter um pouco de paciência nessa situação, é um risco”, diz.

A mesma recomendação a pedestres, ciclistas e condutores de veículos é feita pela  Rumo, empresa operadora de ferrovias, cujas composições passam por Irati e região para execução de serviços logísticos de transporte ferroviário.

“A empresa orienta a população para que sempre redobrem a atenção à sinalização visual e à sonora para fazer uma travessia segura. A concessionária realiza campanhas de segurança e conscientização para alertar sobre os cuidados com o trem”, destacou a Rumo, através de sua assessoria de imprensa.

Calcular mal o tempo necessário para a travessia da linha férrea é um dos motivos dos acidentes, por isso ao ver ou ouvir o trem, Keyla reforça a orientação para parar.  “As pessoas, às vezes, consideram que dá tempo, que conseguem fazer a travessia antes do trem chegar, mas nem sempre é essa situação, a gente pode observar que há situações de atropelamentos ou acidentes com o trem não somente em Irati, mas nas cidades que têm essa característica de ter o trem passando no meio urbano”.

Problema: Trem interrompe o trânsito

A malha ferroviária corta as principais ruas da área central de Irati. Foi graças à instalação da Estação Ferroviária Iraty, na Rua da Liberdade, que a ocupação urbana do município se de configurou nos moldes em que permanece até hoje. Antes, as primeiras casas e comércios estavam situadas no “Irati Velho”, atual Vila São João, mas com a Estação, o desenvolvimento do comércio migrou a área onde permanece até os dias atuais. E a Estação Ferroviária e os trilhos também permanecem  até hoje na área central da cidade. 

A parada das locomotivas na Estação causa transtornos ao trânsito de Irati, pois os vagões provocam a interdição de alguns dos principais cruzamentos da cidade – ruas XV de Julho, Coronel Grácia e XV de novembro com a rua da Liberdade.  As paradas acontecem inclusive em horário comercial, dificultando a mobilidade urbana em Irati quando há intenso fluxo de veículos e pedestres.

Questionada sobre este problema da interdição do centro da cidade, a empresa operadora de ferrovias Rumo disse que está avaliando o problema e buscando alternativas.  “A Companhia procura tomar todos os cuidados para não causar transtornos à população. A parada de trens no município é feita para a troca de maquinistas. No momento, estão sendo discutidas novas alternativas para solucionar as paradas das composições no perímetro urbano”, informou a Rumo através de sua assessoria de imprensa.

 

Segurança e empatia

Para o funcionamento adequado do sistema viário, sem acidentes e problemas, a comandante do 3º Subgrupamento de Bombeiros de Irati, 1º tenente Keyla Karas Soltes dá algumas dicas.

“As máximas são sempre a direção defensiva e a empatia, se por no lugar do outro, não exceder os limites de velocidade no trânsito, sempre ter essa preocupação. O pedestre tem prioridade, mas é importante observar que ele deve também respeitar os sinais do trânsito, e também manter o contato visual com os motoristas, verificar se esta sendo visto”, diz.

Ela também cita que alguns acidentes ocorrem devido ao fato dos envolvidos terem consumido substâncias entorpecentes, ilícitas ou lícitas. “O álcool não é só contraindicado no trânsito para os motoristas, ele acaba a situação cognitiva das pessoas, tanto do pedestre tanto dos motoristas”.

A tenente destaca ainda que todos devem seguir o Código de Trânsito Brasileiro, respeitando as sinalizações, os limites de velocidade, os locais apropriados para as travessias, dentre outras questões. “O trânsito é composto por vários agentes, então, além do motorista o pedestre também tem que observar as sinalizações, atravessar sempre nas linhas nos locais demarcados para isso. Observar, olhar, ver e ser visto”, diz.

De acordo com os profissionais do Corpo de Bombeiros, quando os pedestres precisarem seguir em rodovias, devem caminhar no acostamento, no sentido inverso ao fluxo do trânsito, nunca transitar sobre a via.  Já os ciclistas, segundo Keyla, devem “transitar no sentido do fluxo, entretanto usar a sinalização, usar os EPIs, usar sempre luzes na bicicleta, roupas que sejam facilmente visíveis”.

Outra orientação é que idosos, crianças e pessoas com mobilidade reduzida saiam às ruas sempre acompanhados de alguém que possa os auxiliar no trânsito.

 

Operadora de ferrovias Rumo comenta o acidente desta semana

Questionada sobre o atropelamento que aconteceu em Irati e fez uma vítima fatal nesta semana, a operadora de ferrovias Rumo se manifestou.

“Em relação à ocorrência registrada na última segunda-feira (31), a empresa lamenta o fato, mas esclarece que o ocorrido não teve nenhuma relação com a parada dos trens. O trem estava circulando e atravessando uma passagem de nível, mesmo fazendo uso da buzina, a pedestre entrou entre os vagões. O maquinista não avistou o fato e foi comunicado posteriormente pelo Corpo de Bombeiros”, afirmou a Rumo através de sua assessoria de imprensa.

 

“A passagem no meio da composição é totalmente contraindicada. Deve-se buscar sempre local para trafegar fora da composição, nunca passar entre os vagões”, orienta Keyla Soltes, comandante do 3º Subgrupamento de Bombeiros

 

“A parada de trens no município é feita para a troca de maquinistas. No momento, estão sendo discutidas novas alternativas para solucionar as paradas das composições no perímetro urbano”, informou a Rumo através de sua assessoria de imprensa.

 

 

Texto: Letícia Torres/Hoje Centro Sul

Fotos: Ciro Ivatiuk/Hoje Centro Sul

 

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