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04/06/2021

A pressão social e como ela reflete nos jovens

A pressão social e como ela reflete nos jovens

Em 1897, Emile Durkheim, fundador da sociologia, concluía seu livro "Suicídio". Neste livro, muito polêmico, aliás, ele fala das três espécies de suicídio: O suicídio egoísta - em que o indivíduo, por julgar todos os seus problemas maiores que os do restante da sociedade, se suicida. Exemplos são: casais divorciados, pessoas com apatia e depressão. -, O suicídio altruísta - em que o indivíduo morre achando que está fazendo o bem para a sociedade, que está trabalhando em "prol dela", por auto opinar-se inferior. Exemplos são: Os camicases e os homens bomba -, E por fim, o suicídio anomico - Em que a perca de um padrão de vida, uma reforma política, economica, ou social, afeta o status de um indivíduo a ponto de instaurar o caos em sua percepção de mundo, encontrando assim, suposta saída, no suicídio. Exemplo: Crise de 1929, com a quebra na bolsa de valores de Nova Iorque.

Mas o comentário acima foi feito pela seguinte razão: aproximadamente 32 pessoas se suicidam por dia no Brasil. Destas 32, a grande maioria têm depressão, e é jovem. O suicídio é a terceira maior causa das mortes entre os jovens.

A depressão e as tentativas de suicídio afetam de maneira desencadeada os jovens e adolescentes do Brasil e do mundo. Mas, por quê?

Emile Durkheim, neste mesmo livro, dá a resposta: por causa de toda a pressão que a sociedade exerce sobre nós. Vivemos em uma civilização extremamente opressora, onde você pode ser tudo o que quiser, tudo o que sonhar, menos você mesmo, isso você não pode ser.

Você não pode ter quilinhos à mais. Nem quilinhos à menos. Nem um cabelo mais curtinho e rebelde. Você precisa ser magérrima, usar manequim 36, ter cabelo comprido e liso. Isso afeta muito as pessoas, principalmente as meninas. E dá dó só de pensar que milhares de meninas, em seus quinze, dezeseis anos, já pensam em que tipo de plástica vão fazer no nariz ou onde vão botar silicone, porque não se aceitam, e cobram incessantemente de si mesmas por não ter o rosto ou o corpo perfeito.

Pobre delas, mal sabem que "perfeitas" jamais ficarão. Porque já são perfeitas. É a mídia que não te deixa ser perfeita. Porque a busca pela perfeição tem que dar lucro. Então eles inventam um padrão de beleza que não pode ser alcançado. Para as pessoas, não apenas do sexo feminino, cito aqui porque é o mais amaneirado destes, gastarem tempo, e principalmente dinheiro em procedimentos estéticos caros e invasivos. Como diria Anthony Kiedes, em sua emblemática canção, "Californication": "Pele de celebridade, este é o seu queixo, ou a luta que você está travando?" Porque, realmente, agradar os padrões de beleza é uma luta, que jamais será vencida.

Mas não é apenas essa pressão social com que temos que lidar. Têm as inseguranças sobre o futuro, as cobranças na escola, na família, e é lógico, todas as decisões erradas que somos subjugados à identificar e escolher se submeter ou não.

Mas, o mais difícil, na minha opinião, é lidar com a doce, porém aprisionante ilusão que o mundo têm. A chave para abrir a porta certa, dificilmente encontramos. Mas a porta errada está sempre escancarada.

Enfim, a sociedade exerce muita pressão sobre os adolescentes, e é difícil demais para muitos deles lidar com ela de maneira apropriada. E muitos deles caem em profunda tristeza ou em caminhos ilusórios.

Mas, adolescentes, não se culpem, e não exijam tanto de si mesmos em questão de padrões. Sabe qual é a minha dica? Caprichem mais na essência e no conhecimento de vocês. Este ninguém rouba, ninguém têm o poder de mudar além de vocês.

Texto:  Geovana Domingues Martins.

* Aluna de 14 anos de idade do Colégio Cívico Militar do Paraná Doutor Afonso Alves de Camargo - Rio Azul

Foto ilustrativa Pixabay

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