Membros do AA contam que os filhos foram as maiores motivações para superar o vício

Por Redação 4 min de leitura

Pais de família contam como era a vida antes da recuperação do alcoolismo e que um dos principais motivos que os levou à mudança foi a necessidade de se tornar um bom exemplo para os filhos

Dia 14 de agosto o grupo Alcoólicos Anônimos (AA) de Irati completa 38 anos no município. Membros da irmandade relatam a mudança de vida a partir da recuperação do alcoolismo e se emocionam ao falar sobre as mudanças em suas relações familiares. Grande parte dos membros do AA são pais, que sentiram a necessidade de se libertar do vício em álcool para melhorar a vida e o futuro dos filhos.

“Tenho uma filha de 9 anos. Depois que sai da rua, continuei bebendo um pouco, até que um dia cheguei em casa bêbado e minha filha me disse: ‘Pai, se você continuar bebendo eu não vou mais te chamar de pai e nem vou te ‘dar bença’. Aquilo foi um tapa na cara”, relata João*.

Logo após o acontecimento, ele conta que a filha o levou para o sofá da sala, onde a televisão estava ligada e passava uma novela onde tinha um grupo de alcoólicos anônimos. 

“Decidi procurar o grupo do AA e aqui eu me encontrei, não sinto vontade de beber, aqui vivemos um dia de cada vez”, conta. João é membro do AA há 8 anos e se considera uma pessoa feliz atualmente.  “Tenho minha família, meu trabalho, minha casa, voltei a estudar – estou terminando meu ensino fundamental à noite.  Quando cheguei no AA não sabia nem ler nem escrever direito, mas eu sabia que tinha que aprender para poder transmitir minha mensagem aos que estão sofrendo”, diz.

Vitor* faz parte do grupo há 25 anos. Ele sofreu muito enquanto estava sob efeito da doença alcoolismo e conta que a família foi o principal motivo que o levou a  buscar ajuda contra o vício, pois sabia que não poderia ser exemplo para os filhos se continuasse naquela situação. “A presença do pai é tudo dentro da família, eu sempre me questionava qual seria o futuro dos meus filhos, que exemplo de vida eu iria dar a eles e que moral eu teria para cobrar deles alguma coisa, pedir que não fume, não beba, não use drogas. Muita coisa no mundo seria diferente se as pessoas não desvirtuassem o sentido da família”, afirma.

Diante dos filhos pequenos e da necessidade de colaborar para a formação deles, a autocrítica fez com Vitor começasse a enxergar uma luz no fim do túnel. “Uma das coisas que mais pesou quando eu comecei a me questionar quanto às minhas atitudes foi a minha família. Tenho três filhos, na época eram todos pequenos, mas eu parei para pensar que o futuro deles dependia da minha condição e da minha responsabilidade. A minha família foi o principal motivo de eu tomar essa decisão de mudança”, relata Vitor.

No alcoolismo, segundo Miguel*, um dos integrantes do AA de Irati,  há dois desafios difíceis de vencer: parar de beber e aprender a viver sem o álcool.  No grupo, eles compartilham suas experiências e se fortalecem dia após dia. Miguel também é pai e relembra a relação com seu filho quando era alcoólatra. “Tenho uma família, também sou pai e agradeço a minha esposa por ter me aturado sem me abandonar no meu alcoolismo. A experiência que eu guardo, que tive com meus filhos, foi quando meu filho mais velho foi me buscar em uma festa e ele me falou que se um dia ele bebesse eu não poderia dizer nada. Aquilo me tocou no coração e eu consegui parar de beber, mas aprender a viver sem o álcool só consegui aqui dentro do AA”.

Carlos* está no grupo há 32 anos e começou a consumir