Aumento do custo de vida pesa no orçamento das famílias

Por Redação 4 min de leitura

Segmentos de alimentação e transportes são os principais causadores do aumento de custo de vida entre brasileiros. Com a alta de preços de alimentos e combustíveis, economistas dão dicas do que fazer para tentar equilibrar o orçamento

Apesar de abril começar a registrar queda nos preços, o custo de vida do brasileiro continua alto, se comparado ao ano passado. Dados sobre a economia mostram como o aumento de preços tem impactado na vida dos brasileiros.

Em 2021, os dois setores têm sido responsáveis pelo aumento de custo de vida, o setor de transportes e o de alimentação. Um ano após a declaração de pandemia do coronavírus pela Organização Mundial de Saúde (OMS), o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15 (IPCA-15) de março mostrou um aumento de 0,45% no índice geral comparado ao mês anterior, ficando em 0,93%.

Na alimentação, o índice começou a mostrar uma queda, ficando em 0,12% em março, mas subindo em abril, ficando com 0,36%. Já nos transportes, houve aumento em março, com o registro de 3,79% no índice, puxado pelo aumento nos combustíveis. Em abril, os preços ligados ao setor de transportes começaram a diminuir, mas ainda registraram um índice de 1,76%, maior do que a do começo do ano, que ficou em 0,14%.

Alimentos

Um estudo do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) referente a março mostrou como esse aumento de preços tem impactado em diferentes faixas de renda. O estudo mostrou que houve uma aceleração da inflação em todas as faixas de renda em março e que no acumulado do ano, todas as faixas de renda também apresentam aumento da inflação.

Um dos segmentos que mais impactou no ano passado foi o de alimentação. Segundo a técnica de Planejamento e Pesquisa do Ipea, Maria Andreia Parente Lameiras, o aumento dos alimentos aconteceu por dois fatores: aumento da demanda logo após a pandemia e a mudança de hábitos das pessoas, que passaram a consumir mais alimento em casa. “Teve aumento de alimento no mundo todo, porque o alimento, ao contrário de outros bens, que você até consegue expandir a produção num médio prazo, o alimento não. Porque a balança do alimento é a plantação. Não tem como colher mais, daquilo que você plantou no ano passado”, comenta.

Apesar do preço do alimento subir em todo o mundo, no Brasil, o alimento também foi impactado pelo câmbio, devido à desvalorização do real frente ao dólar. “O câmbio atinge o alimento no país por dois canais. O primeiro canal é o seguinte: tudo aquilo de alimento que eu importo, chega mais caro. O que o Brasil importa? Trigo, por exemplo. Quando a gente fala de pão, biscoito, de macarrão que teve aumento de preço é porque o trigo chega mais caro no Brasil. Outra coisa que impacta o preço interno é que quando tem uma desvalorização, ou seja, quando o dólar ganha força e o real perde força, para o produtor nacional é melhor ele vender para o mercado externo, do que vender aqui dentro para o mercado interno porque ele vai ganhar em dólar e vai ganhar mais. Então, parte da produção que ia ser voltada para o consumo interno, acabou indo para o mercado externo, reduziu ainda mais a oferta de alimento no país, gerando aumento do preço”, explica.

Outro fator que colaborou para elevação de preços dos alimentos foi o próprio Auxílio Emergencial. Normalmente, pela lei da oferta e demanda, quando o preço aumenta, a demanda diminui. Contudo, com o auxílio emergencial de R$ 600 no ano passado, os brasileiros continuaram a comprar. &ld