Júri popular condena homem a 24 anos de prisão pela morte da esposa e tentativa de homicídio do cunhado

Por Redação 4 min de leitura

Júri de João Fernando Nedopetalski teve duração de dois dias e foi concluído na noite desta quinta-feira, 10

O réu João Fernando Nedopetalski foi condenado a pena de 24 anos e quatro meses de prisão pela morte de sua esposa Ivanilda Kanarski Nedopetalski e pela tentativa de homicídio do seu cunhado Romildo Kanarski. O júri popular realizado no Fórum de Irati teve duração de dois dias. Na quarta-feira, 9, os trabalhos tiveram duração de mais de 15 horas quando as testemunhas foram ouvidas. A sentença foi lida pelo juiz, Dawber Gontijo Santos, por volta das 20h30 desta quinta-feira, 10. 

Sete jurados fizeram parte do conselho de sentença, sendo seis mulheres e um homem. João Fernando foi condenado por homicídio qualificado pelo recurso que dificultou a defesa da vítima. Além disso, foram consideradas duas qualificadoras. Uma delas é que o crime foi cometido na presença dos filhos do réu e da vítima. A outra situação apontada é que a vítima deixou órfãos um filho e uma filha, que na época tinham 12 e 7 anos de idade, respectivamente, e que “crescerão privados do convívio e apoio da mãe”. 

Nos autos, não foram apontados elementos suficientes para avaliar a vida do acusado em seu ambiente familiar e social, bem como sua personalidade. A sentença também diz que o comportamento da vítima não contribuiu para a prática do crime. Em virtude das duas circunstâncias negativas, a pena aplicada foi de 16 anos e 4 meses de reclusão. João Fernando também foi condenado a oito anos de reclusão pela tentativa de homicídio do irmão de Ivanilda, Romildo Kanarski, com disparos de arma de fogo. Somadas as duas penas, o réu foi condenado a 24 anos e quatro meses de prisão. João Fernando está preso desde o dia do crime e já cumpriu dois anos, quatro meses e 15 dias. Por isso, a pena restante será de 21 anos, 11 meses e 15 dias.  

Ivanilda Kanarski, de 30 anos, foi morta a tiros no dia 26 de julho de 2018. O crime ocorreu no Parque Aquático de Irati e foi presenciado pelos dois filhos do casal. Um policial, que estava em seu horário de descanso, ouviu os disparos que ocorreram nas proximidades de onde ele morava e conseguiu deter o autor dos tiros, que havia sido imobilizado pelo irmão da vítima. Ivanilda chegou a ser socorrida pelo Corpo de Bombeiros, mas morreu ao dar entrada na Santa Casa de Irati. 

Análise da defesa e acusação

Após o encerramento do julgamento, a reportagem da Najuá conversou com o advogado de defesa do réu, Jeffrey Chiquini. Ele disse que respeita a decisão dos jurados. “Como eu havia dito não foi um feminicídio e assim os jurados reconheceram que não houve feminicídio. Quero esclarecer a essa sociedade de Irati, que esse advogado, pediu pela aplicação da lei, reconheceu a gravidade do fato, reconheceu ser um caso complexo e pedimos inclusive a pena do João Fernando pelo crime que ele praticou contra sua esposa. Para quem assistiu o júri viu que em momento algum nós passamos a mão na cabeça dele ou faltamos com a verdade. Aqui não tem anjos e demônios, os fatos foram postos, as mentiras foram descontruídas e a sociedade de Irati decidiu por condená-lo pela morte de sua ex-esposa. Ele teve a aplicação de uma pena de 24 anos, que pelo tempo que ele já cumpriu ficou em 21 anos, respeitamos a decisão da sociedade, eu vim a esse julgamento sabendo que eu não sou o juiz