Editorial – Debate: A verdade nua e crua

Por Redação 3 min de leitura

Colocar todos os candidatos a prefeito de um município frente a frente em um debate faz toda a diferença. O receio de que o oponente traga à tona fragilidades – pessoais, profissionais, do plano de governo – faz com que o candidato se coloque em posição de alerta, de estresse, de ansiedade. E é tendo que lidar com a situação emocional estrema que a verdade vem à tona.

É fácil ler, é fácil gravar um vídeo em um local calmo, sorrindo, rodeado de apoiadores com um texto previamente decorado e direito de refazer quantas vezes forem necessárias para que fique bom. Mas é difícil ter que olhar nos olhos do adversário que acabou de fazer um insulto e estar pronto para argumentar, para se defender, para improvisar e combater a versão dos fatos dada pelo oponente, que os interpretou da forma menos aprazível que pôde.

Nesse contexto, proporcionado pelos debates, a exposição de quem realmente se é torna-se praticamente inevitável.  Assim como não é possível enganar a todos o tempo todo, não é possível convencer sem estar preparado, não é possível falar com convicção sem ter conhecimento sobre o que se fala.

Isso ficou muito evidente no debate entre os candidatos a prefeito de Irati realizado na última semana. De modo geral, a falta de propostas concretas, viáveis, bem embasadas, chamou a atenção. Fazer promessas mirabolantes de que irá resolver os problemas do mundo não é proposta de gestão. Uma proposta tem que contemplar alguns elementos básicos: O que? Quando? Como? Por quê? Com quais recursos do orçamento?

Salvar o mundo em época de campanha qualquer um salva. Ler um script preparado por outros, provavelmente copiado de algum banco de dados de planos de governo, disponível para a compra, também qualquer um faz.  Falar por falar, qualquer um fala, promete, expõe que quer resolver o problema da saúde, o problema da falta de empregos. 

Como se o que faltasse para vivermos em um Município com qualidade de vida de primeiro mundo fosse apenas o querer, a boa vontade dos governantes.  Como se anteriormente nenhum gestor que comandou Irati ao longo de 113 anos quisesse, por exemplo, auxiliar na geração de empregos, como se nenhum outro gestor tivesse buscado cuidar da saúde. Os candidatos de promessas vazias dizem ao eleitor que falta simplesmente chegar um salvador da pátria – no caso, ele próprio –, com sua varinha mágica, para ir ao ponto mais alto da cidade, tocá-la, e tudo se transformará, será mil maravilhas.  

Entretanto é importante frisar que o eleitor está mais atento a estas inconsistências dos candidatos. Consegue perceber que não adianta a promessa de campanha de que irá fazer.  É preciso convencer como irá fazer, quando irá fazer e com que dinheiro irá fazer.  Para isso, além do convencimento, dos dados técnicos e do carisma, também pesa o histórico de vida de cada candidato. O que ele já fez? O que o qualifica para governar? O que estudou? Onde já trabalhou? O quanto se envolveu com questões da comunidade? O quanto conhece realmente o Município e seus problemas?

Em relação ao desconhecimento sobre a cidade, causou-nos espanto, por exemplo, o fato de dois dos candidatos a prefeito de Irati demonstrarem claramente que não sabiam onde fica a “mata do Gomes” e que não acompanharam as discussões recentes sobre o tema.