“Depressão é uma doença séria, tão séria que leva ao suicídio”
“Falar é a melhor solução” foi o tema da campanha deste ano do Centro de Valorização da Vida (CVV) para o Setembro Amarelo.
Um suicídio a cada 40 segundos ocorreu no ano de 2019, segundo a da Organização Mundial da Saúde (OMS). Entre as principais causas para o suicídio, estão doenças como a depressão, transtornos de ansiedade, esquizofrenia e distúrbios por uso de drogas lícitas e ilícitas.
“Depressão é uma doença séria, tão séria que leva ao suicídio, mas infelizmente quem nunca teve ou quem nunca estudou o assunto, às vezes não consegue entender”, alerta o médico psiquiatra Lucas Batistela. Ele orienta a buscar informações e conversar sobre o tema. “Você que está depressivo procure conscientizar as pessoas próximas, mostrando profissionais de respeito e estudos sérios falando sobre o assunto, a ignorância de seus ententes queridos e até mesmo a sua, podem complicar muito o teu caso, que às vezes pode até ser simples de resolver”, diz.
Amigos e familiares podem oferecer apoio às pessoas com depressão, o que pode ser essencial ao tratamento de acordo com o médico psiquiatra. “O apoio, com incentivo e sem julgamentos, faz toda a diferença na evolução do quadro. Você que conhece alguém com depressão, ajude-o a sair de casa, praticar alguma atividade física, se alimentar melhor e até mesmo uma boa conversa com focos em coisas positivas já faz toda a diferença. Essas coisas simples para alguém que esta em quadro depressivo podem ser muito difíceis mesmo. Alguém dando apoio pode ser o diferencial para a pessoa ‘sair da caverna’ ou não”.
Quando não é possível encontrar apoio entre familiares e amigos, há profissionais como psicólogos e psiquiatras que podem ser procurados, por exemplo, na rede pública de saúde – os Centros de Referência em Assistência Social (CRAS) têm psicólogos em suas equipes. Também é possível buscar a ajuda de voluntários do Centro de Valorização da Vida (CVV), que atendem por telefone, através do 188, 24 horas por dia todos os dias. E qual o papel destes voluntários? Ouvir, sem fazer julgamentos.
Leandra Francischett é voluntária da CVV. Ela mora em Francisco Beltrão, é jornalista, e faz parte do grupo de 4.200 voluntários da entidade no país, que prestam apoio emocional e trabalham na prevenção do suicídio. “O CVV não dá conselhos, pois cabe à própria pessoa decidir sobre seus atos. Através da escuta amiga, esta pessoa vai percebendo qual o encaminhamento que deseja tomar”, explica Leandra.
Segundo ela, dar oportunidade para a pessoa falar abertamente sobre seus problemas, sobre seus pensamentos, é uma dos principais focos do trabalho da CVV. “O mais gratificante é ouvir a pessoa dizer: ‘Muito obrigada!’, sem eu ter dito nenhuma palavra, apenas por escutá-la”, afirma. Inclusive a campanha do CVV para o Setembro Amarelo (mês voltado à prevenção ao suicídio) neste ano foi “Falar é a melhor solução”.
A entidade, que existe desde 1962, tem 120 postos de atendimento no país, localizados em 23 estados e no Distrito Federal. “Em 2019, foram 3.160.000 atendimentos, sendo: 94% pelo telefone 188; 4,5% por e-mail; 1% pelo chat e 0,5% pessoalmente”, conta Leandra. Ela acrescenta que a entidade não tem fins lucrativos, nem v

