Motoboys também são vítimas de ofensas em Irati e região
“As pessoas xingam sem dó, é normal. É só atrasar uma entrega”, relata o motoboy Jackson Padilha. Ele trabalha em Irati e assim como Matheus Pires Barbosa, 19 anos, de Valinhos, São Paulo, também recebe tratamento vexatório. Entretanto, ao contrário de Matheus, Jackon e muitos outros entregadores que trabalham na cidade de Irati e em outras do Brasil nunca gravaram vídeos das ofensas que já receberam, nunca foram destaque nas redes sociais e na imprensa, permanecem no anonimato.
O tratamento com o intuito de humilhar que motoboys, garçons, porteiros e outros profissionais recebem traz à tona preconceitos, como o socioeconômico e o racial, presentes no Brasil há muitos e muitos anos.
“Infelizmente não acredito que estamos evoluindo na redução gradual dos preconceitos. A mídia mostrou esse caso e houve repercussão nacional, mas existem essas situações diárias no nosso cotidiano. Podemos presenciar isso em diversas esferas, em questão socieconômica, religiosa, política, profissional, entre tantas”, afirma a psicóloga Daniele Pires.
Segundo ela, as ofensas podem ocasionar danos emocionais ao agredido. “Podem causar sérios abalos psicológicos, dificultando, impedindo e travando algumas vezes o ‘agredido’, a sua evolução”, explica.
Entretanto, apesar da seriedade da questão, as vítimas desse tipo de violência permanecem invisíveis. Na Secretaria Municipal de Assistência Social de Irati, por exemplo, praticamente não há reclamações sobre casos como esse do motoboy.
“Casos envolvendo preconceito racial e ou socioeconômico – diferente das violências contra criança, mulher e idoso, por exemplo –, dificilmente as pessoas procuram o CRAS [Centro de Referência em Assistência Social] ou o CREAS [Centro de Referência Especializado em Assistência Social] para denunciar um fato vivenciado, já ocorreu, mas ocasiões isoladas”, relata a secretária de Assistência Social de Irati, Sybel Dietrich.
Ela acredita que isso ocorre porque “talvez o preconceito racial e econômico ainda esteja muito naturalizado, o que faz com que as pessoas não nos procurem de imediato, já as violências contra idosos, por exemplo, tem mobilizado de outra forma”.
Segundo Sybel, a equipe da Secretaria de Assistência Social está preparada para atender e dar o auxílio necessário àqueles que forem vítima humilhação. “Uma das situações que a assistência social está na linha de frente é a atuação em situações vexatórias e de humilhação, tendo uma rede de serviços e corpo técnico especializado para assegurar o acolhimento dessas pessoas, acompanhando sua situação e caso seja necessário e de interesse do sujeito, inserir ele em outros serviços do município que busquem o acesso aos seus direitos sociais”, conta.
Agressor
Para a psicóloga Daniele Pires, o homem que praticou a agressão contra o motoboy, que foi retratada no vídeo que viralisou, também precisa de tratamento. “No caso do vídeo vejo preconceito e pobreza de espírito. Essa pessoa precisa de tratamento psicológico para se conhecer melhor, amar a si mesmo e aprender a respeitar as outras pessoas”, afirma. Ela defende que “o ser humano precisa trabalhar mais a humildade e a empatia par

