Profissionais de saúde salvam vidas na linha de frente

Por Redação 3 min de leitura

Enfermeira há 27 anos, Fátima Hirth Ruiz conta o que mudou na rotina há cerca de dois meses, desde que os primeiros casos suspeitos do novo coronavírus começaram a aparecer no Paraná. Confira o depoimento.

O dia a dia de Fátima Hirth Ruiz mudou muito há cerca de dois meses, desde que os primeiros casos suspeitos do novo coronavírus começaram a aparecer no Paraná. Enfermeira há 27 anos, ela trabalha há quatro no Hospital Universitário de Londrina e, também, presta atendimentos no Samu da região. Fátima conta como está a rotina de um profissional da saúde que atua na linha de frente de combate à Covid-19.

O HU de Londrina é um dos hospitais que estão tendo os leitos ampliados pelo Governo do Estado para atender os pacientes de Covid-19. A unidade, que é referência para 96 municípios que abrangem população de 3,4 milhões de pessoas, terá 214 novos leitos de UTI e de enfermaria. O Estado investe R$ 3 milhões em equipamentos e mais R$ 21 milhões para o custeio nos próximos seis meses.

O hospital também adotou outras medidas, como cancelamento das cirurgias eletivas para concentrar os casos suspeitos de coronavírus na região, enquanto unidades como o Hospital Evangélico e a Santa Casa recebem os pacientes com outras doenças. O setor de Moléstias Infectocontagiosas (MI), onde Fátima trabalha, remanejou para outras alas os pacientes de patologias infectocontagiosas, como Aids e tuberculose.

As duas primeiras semanas foram as mais desafiadoras, afirma Fátima, com os leitos quase completos e muitos pacientes precisando ser intubados. A enfermeira chegou a trabalhar quase 16 horas seguidas no hospital. “Mas as últimas semanas foram bem mais tranquilas, talvez em decorrência do isolamento. As pessoas estão tendo menos contato com as outras, se expondo menos, o que acabou reduzindo o número de pacientes”, diz.

Adaptações também foram feitas nos procedimentos do Samu, que agora só sai para atendimento com os profissionais totalmente paramentados. A higienização da ambulância após cada chamado, que já era praxe no serviço de urgência e emergência, também foi reforçada.

“Normalmente, quando éramos chamados, íamos com a nossa roupa padrão, o macacão do Samu e eventualmente usando uma máscara cirúrgica”, conta. “Agora, antes de sair para a ocorrência, vestimos a paramentação para chegar ao local e não correr risco de exposição. É uma proteção pessoal mesmo, porque não sabemos o que nos espera do outro lado”, diz.