Violência contra a mulher aumentou ou mais casos têm sido denunciados?

Por Redação 3 min de leitura

No Brasil, em 2019 houve um aumento de 10% nos números relacionados à violência doméstica e de 5% nos casos de feminicídio em relação ao ano de 2018, de acordo com o Conselho Nacional de Justiça (CNJ), que faz o monitoramento dos casos. O CNJ indica que há mais de um milhão de processos de violência doméstica e 5,1 mil processos de feminicídio em tramitação na justiça brasileira.

A quantidade de medidas protetivas concedidas também cresceu no país. Foram 70 mil medidas a mais do que em 2018. O estado do Paraná foi o terceiro que mais concedeu medidas protetivas no país – 35 mil – ficando atrás apenas de São Paulo e Rio Grande do Sul respectivamente.

Em Irati cerca de 360 mulheres têm medidas protetivas em vigência. Dessas, mais de 80 são acompanhadas pelo Centro de Referência Especializado da Assistência Social (Creas) porque sofreram algum tipo de violência.

Esse aumento nos números nacionais pode ser interpretado sob dois ângulos totalmente divergentes. O primeiro é que como a violência contra a mulher está sendo cada vez mais debatida, tendo mais canais de atendimento, como as Patrulhas Maria da Penha – instituída recentemente também em Irati –, mais mulheres têm denunciado a violência, logo os números aumentam. A segunda interpretação possível é que estes mecanismos de proteção não têm sido suficientes para a prevenção da violência contra a mulher, que têm realmente crescido.  

Em Irati, o Núcleo Maria da Penha (Numape), coordenado por profissionais da Universidade do Centro Oeste (Unicentro) tem como um de seus focos de atuação justamente as questões preventivas.   “Nós procuramos estar nas mídias, escolas e universidades através de oficinas e palestras divulgando nosso trabalho, mas para além disso, porque não objetivamos apenas atender a mulher violentada, mas nós também objetivamos que esse número diminua, e para isso, só conversando sobre o tema”, defende a orientadora do grupo de direito do Numape, professora Fernanda Bugai.

Ela explica que a discussão envolve os jovens, esclarecendo sobre as várias formas de agressão físicas e psicológicas. “Temos uma frente de trabalho muito grande com acadêmicos e alunos e a população jovem, porque a violência doméstica é estruturada na sociedade e prevenimos isso quando esclarecemos. Muitas vezes o que vai fazer um homem evitar a violência contra uma mulher é o conhecimento do que se trata essa agressão e quais são as consequências para ele e essa mulher”, comenta.

A secretária de Assistência Social de Irati, Sybil Dietrich, reforça que todos devem se envolver na prevenção da violência. “O ponto principal é a prevenção, não só no sentido de a mulher reconhecer como violência situações que ela vivencia, mas de colocar toda a sociedade como responsável, combater todas as formas de violência. Entender que todos somos responsáveis pela situação e temos que intervir sim, seja denunciando, seja acolhendo e ouvindo essa mulher e não julgando. Muitas pessoas falam, ‘mas ela poderia sair daquela situação e não quer sair’, então tentar levar informação e discussão para a sociedade, para romper com esse julgamento, com esse preconceito e para