Editorial – Por que ser voluntário?
Muitos podem pensar, por que trabalhar de graça, como voluntário, ao invés de apenas descansar nas horas vagas? A resposta é simples, somos responsáveis também pelo bem que deixamos de fazer. E o que significa sermos responsáveis, na nossa inércia, pelo que não fazemos?
Causas que julgamos importantes perdem o nosso apoio concreto, perdem a energia que poderíamos empregar para que a transformação que sonhamos aconteça. Alguns exemplos de causas que podem gerar o engajamento individual, para a melhoria de situações de vulnerabilidade, são combate à pobreza, educação, direitos humanos, saúde, capacitação profissional, cultura e arte, esporte, dentre tantas outras.
Há muitos lugares onde se pode ajudar. Há muitas formas de ajudar. E quando cada um trabalha naquilo que lhe motiva, em prol da construção coletiva de uma realidade melhor, tudo muda. E o primeiro aspecto a se alterar é a própria visão de quem se envolve naquela causa, que passa a ter mais tolerância, responsabilidade, respeito pelas diferenças e gratidão. Consequentemente, tem início a evolução intelectual e moral de cada indivíduo. O que acaba por alterar o ambiente onde se vive.
Claro, não se tem a expectativa ingênua de acabar com a pobreza no mundo, com as desigualdades de gênero, com a violência, com a dificuldade de acesso à saúde e tantas outras mazelas. Entretanto, quando cada um se dispõe a colaborar um pouco com o coletivo, deixando de lado o egoísmo e a inércia, tudo fica melhor. Inclusive para si mesmo.
As voluntárias da Rede Feminina de Combate ao Câncer de Irati, que cuidam daqueles que estão fazendo o tratamento oncológico confirmam isso: “A gente vem para ajudar e acaba sendo ajudada”. Quem está auxiliando o outro não tem tempo para chorar. Consegue a autoconfiança e a fé para enfrentar os seus próprios problemas com serenidade, sem lamúrias. É a evolução, é o verdadeiro sentido do cristianismo, a caridade sincera.

