Em Irati, projeto com adolescentes busca prevenir ansiedade e depressão

Por Redação 4 min de leitura

Grupo visa jovens que enfrentam problemas e que até mesmo já tentaram o suicídio ou tem pensamentos suicidas

Um grupo terapêutico está realizando encontros todas as segundas-feiras, a partir das 19h, no Centro da Juventude, em Irati, para ouvir jovens que enfrentam problemas como a ansiedade e/ou depressão e que até mesmo já tentaram o suicídio ou têm pensamentos suicidas.

A psicóloga e idealizadora do projeto, Daniele Pires Soares, conta que a ideia surgiu após atender vários adolescentes que tinham tentado suicídio na mesma semana. “Infelizmente em uma semana recebi três adolescentes, de 13, 14 e 15 anos, que tinham tentado o suicídio e isso me chocou muito. Senti a necessidade de acolher esses adolescentes de uma forma especial, mostrar que tem um mundo grande aí fora e tem pessoas para acolher, amar e mostrar um novo horizonte a eles”, disse.

Segundo Daniele, o projeto terá parceiros que acompanharão as conversas semanais para entender as dificuldades desses jovens, e assim, poder oferecer alguma atividade. “Temos uma parceira que quer trabalhar com eles a pintura de muros, de paredões, temos outra parceira que tem uma estufa de suculentas e ofereceu para eles um trabalho com a terra, algo bem terapêutico, entre outros”, comentou.

Resiliência

Um dos pontos destacados pela psicóloga é a falta de resiliência que os jovens enfrentam atualmente, sobretudo devido à facilidade que a tecnologia proporcionou. “Toda estrutura dos jovens está no ter, eles pegam dinheiro e vão comprar alguma coisa. Na sociedade hoje temos uma cobrança muito grande de que você tem que ser alguém, tem que fazer a diferença e sempre correr atrás de um prejuízo que não é seu e isso afeta muito nossos jovens”, disse. “Hoje a tecnologia tomou conta das nossas vidas e com isso as pessoas não têm mais um contato físico, não têm tempo para jogar conversa fora, para saber do dia-a-dia, para ouvir alguém. Então, eles não têm resiliência porque não têm estrutura para isso”, complementa.

A competitividade com outros jovens gera a ansiedade que, por fim, acaba trazendo uma sensação de solidão. “Os adolescentes hoje se comparam muito com os outros na questão material e sempre estão sentindo falta de algo. Não estão aprendendo ainda a valorizar e também se respeitarem, a serem gratos pelo que eles têm em todos os sentidos. E isso cria uma solidão”, explica a psicóloga.

Segundo Daniele, 2020 foi colocado pela Organização Mundial de Saúde (OMS) como o ano da depressão, ou seja, o ano com maior número de casos de pessoas com depressão. “É tudo um conjunto que leva ao suicídio. A ansiedade não trabalhada, onde pode vir uma depressão, uma síndrome do pânico e tudo isso é um pacote onde traz as mutilações, os pensamentos de suicídio e a tentativa”, afirma.

Dentre os gatilhos para a depressão e a tentativa de suicídio, segundo Daniele, estão as drogas ilícitas. “Uma dosagem muito alta da droga a pessoa fica completamente fora de si e ela pode cometer um suicídio. A droga mexe muito com o sistema nervoso e psicológico”, disse.

Procure ajuda

O CVV – Centro de Valorização da Vida realiza apoio emocional e prevenção do suicídio, atendendo voluntária e gratuitamente todas as pessoas que querem e precisam conversar, sob total sigilo por telefone, email e chat 24 horas todos os dias.

Telefone: 188 – g

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