Morcegos estão sendo encontrados em ambientes urbanos com mais frequência

Por Redação 3 min de leitura

Com desmatamento da área rural, morcegos têm sido encontrados cada vez mais em ambientes urbanos. Médico veterinário dá orientações e comenta preocupação sobre contaminação de raiva

Com hábitos noturnos, o morcego tem sido encontrado cada vez mais em ambientes urbanos. Segundo o médico veterinário da 4ª Regional, Gilberto de Quadros, esse é o resultado de mudanças ao longo do tempo, onde o desmatamento fez com que muitos animais migrassem às zonas urbanas para encontrar novo abrigo. “Eles sempre existiram e continuam existindo. Talvez haja uma incidência maior de casos porque há uma alteração dos ecossistemas”, relata.

Os morcegos podem ser encontrados nas áreas urbanas e rurais. Os morcegos encontrados nas áreas rurais são em sua maioria hematófagos, isto é, se alimentam de sangue. “Ele se alimenta de bovinos, suínos, o que ele encontrar”, explica o médico veterinário. Com este tipo de morcego que costuma haver maior contaminação.

Nas áreas urbanas, a maioria dos morcegos encontrados se alimenta de frutas e insetos. “Na área urbana os responsáveis são os morcegos frutíferos e insetívoros. São aqueles que se alimentam de insetos ou de frutas. Eventualmente pode haver morcego hematófago na cidade? Eventualmente sim. Em área peri-urbana, pode haver migração desse morcego hematófago em área urbana”, comenta.

O médico veterinário destaca que não é possível eliminar os morcegos. “Não pode fazer nada. Eles são protegidos por lei”, disse.

Raiva

Uma das grandes preocupações é em relação à raiva que pode ser transmitida pelos morcegos. “Existem 167 espécies de morcegos cadastrados no Brasil. Dessas 167, 41 já foram cadastrados na área urbana e dessas 37% já foram diagnosticados com o vírus da raiva. Ou seja, 90% das espécies encontradas nas áreas urbanas têm diagnóstico positivo para raiva. É significativo”, explica.

O médico veterinário destaca que a raiva tem diversas variáveis. As variáveis 1 e 2 são as provocadas em cães e gatos, algo que já não existe mais no estado. Já a 3 e 4, são as variáveis encontradas no morcego. “A variante 1 e 2 do vírus praticamente não há circulação mais desde a década de 80. Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul são declarados áreas controladas para o ciclo urbano da raiva, que é provocadas pelas variantes 1 e 2, que é o vírus do cão”, disse.

A variante 1 e 2 causa no cão e no gato os sintomas clássicos conhecidos popularmente: agressividade, falta de cansaço após uma movimentação longa, e estar babando. Já com as variáveis 3 e 4, os sintomas são diferentes. Quando há esses casos, os cães e gatos contaminados após terem entrado em contato com morcego com raiva podem apresentar sintomas diferentes. “Eles irão ficar prostrados, tem paralisia, você pode pensar que é qualquer outra doença neurológica”, comenta.

Apesar da preocupação, o último caso registrado de contaminação de raiva no Paraná aconteceu em 1987, em Rio Branco do Sul. “Foi transmitido por um gato que teve contato com um morcego”, disse.

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