Moradora de Irati é selecionada Embaixadora do Google e pretende aproximar IA das escolas
A estudante de Direito e professora de disciplinas de tecnologia Patrícia de Paula foi escolhida em programa global de Inteligência Artificial e planeja realizar oficinas voluntárias em escolas estaduais da região para inspirar novos talentos
A moradora de Irati Patrícia de Paula foi selecionada para o programa Embaixadores Estudantis do Google 2026, iniciativa global que conecta universitários às transformações da Inteligência Artificial (IA) e do Google Gemini. Formada em Sistemas de Informação, com especializações em Análise e Segurança de Sistemas e Desenvolvimento Web, Patrícia atualmente faz sua segunda graduação: Direito. Ela também é professora em disciplinas de tecnologia de cursos da Faculdade São Vicente e lidera a startup Conecta Labs.
Ela se descreve como “apaixonada pela cultura Google”, que reúne tecnologia, criatividade, inovação, experimentação e compartilhamento de conhecimento. “Quando surgiu a oportunidade do Programa Embaixadores Estudantis do Google 2026, pensei: ‘Eu preciso tentar’. E hoje estar participando é quase como conectar aquela ‘Nerd’ estudante de Sistemas de Informação com a profissional e professora que me tornei”, comenta Patrícia.
O programa do Google tem critérios rígidos de avaliação e seleção, como curiosidade prática em IA, liderança universitária e produção de conteúdo digital. “Sou estudante, professora, desenvolvedora e criadora de conteúdo. Quando li o edital, percebi que muitas das características que o Google procurava já faziam parte daquilo que eu vivo todos os dias”, relata. Exemplo disso, é que ela já desenvolveu, com estudantes de Análise e Desenvolvimento de Sistemas, um Hub de Games sobre a cultura local utilizando o Gemini e outras ferramentas de IA como apoio durante o processo.
Conexão entre mundos real e virtual
Para a embaixadora, a Inteligência Artificial é uma ferramenta interdisciplinar de otimização de processos. Na graduação de Direito, ela conta que utiliza a tecnologia para compreender assuntos mais complexos, fazer a estruturação lógica e organização de jurisprudências.
Na docência, usa o recurso para simular ambientes de mercado aos alunos, enquanto na startup a IA atua diretamente na revisão e testes de códigos de software.
“Para mim, a parte mais interessante da Inteligência Artificial é essa: ela não pertence somente à tecnologia. Ela pode conversar com o Direito, com a Administração, com a educação, com empresas e com problemas reais da nossa comunidade. E quero ser uma das pessoas que ajudam a construir essas pontes”, afirma.
Com o título de Embaixadora Estudantil, o objetivo de Patrícia agora é descentralizar o conhecimento técnico acumulado e levá-lo para além dos muros da faculdade. Ela projeta realizar ações de impacto social e educacional diretamente nas cidades que fazem parte da Associação dos Municípios do Centro Sul do Paraná (Amcespar). “Um dos meus objetivos é me aproximar das escolas estaduais da nossa região e atuar de forma voluntária, oferecendo oficinas de programação e uso de Inteligência Artificial. Quero principalmente mostrar aos jovens que tecnologia não precisa ser algo distante ou restrito a quem já sabe programar. Muitas vezes, tudo começa com uma oportunidade de experimentar”, diz, defendendo que a inovação e as boas ideias não são exclusividade dos grandes centros tecnológicos, podem surgir também no interior, nas cidades pequenas, como Irati e as demais cidades da região.
Como exemplo de proposta de sucesso criada em Irati, Patrícia cita o personagem Super D, que surgiu dentro de uma iniciativa de conscientização e proteção a crianças e adolescentes. “Recentemente, o projeto recebeu uma premiação, e foi muito especial perceber que uma ideia desenvolvida aqui, unindo comunicação, educação, criatividade e tecnologia, conseguiu gerar impacto e ainda ser reconhecida”, comemora.
Além das oficinas de IA voltadas aos adolescentes, outra proposta da embaixadora é aliar música e tecnologia para motivar as crianças da rede municipal de ensino. “Já há algum tempo estou desenvolvendo um software voltado às crianças que utiliza reconhecimento de movimentos para transformar os gestos das mãos em música. A criança movimenta as mãos e o sistema reconhece esses movimentos, permitindo que ela interaja e produza sons de uma maneira lúdica, misturando programação, música e tecnologia”, conta.
Potencial da IA no dia a dia
Patrícia defende que a Inteligência Artificial pode facilitar a execução de tarefas cotidianas e a aprendizagem, mas que o potencial da IA ainda é subutilizado.
“Eu já utilizava a ferramenta antes mesmo do programa e procuro mostrar aos meus alunos que a IA pode ser muito mais do que uma ferramenta para responder perguntas. Ela pode ajudar a pesquisar, criar, programar, analisar problemas, desenvolver projetos e transformar uma ideia em algo concreto”, defende a embaixadora.
Da Redação/Hoje Centro Sul

