Aciai 80 anos: a associação que acompanhou o crescimento de Irati
Do fortalecimento do comércio local à formação de novas lideranças, a Aciai celebra oito décadas de história, associativismo e transformação
Fundada em um período em que Irati ainda construía sua identidade econômica e urbana, a Associação Comercial e Empresarial de Irati (Aciai) atravessou gerações acompanhando o crescimento da cidade, as transformações do comércio e a evolução do empreendedorismo regional.
Ao completar 80 anos, a entidade revisita a própria trajetória enquanto também projeta o futuro, apostando na inovação, na formação de novas lideranças e no fortalecimento do associativismo como ferramenta de desenvolvimento econômico e social. A história da associação também é marcada pelas pessoas que ajudaram a construir esse caminho, dedicando seu tempo, trabalho e visão para fortalecer e aplicar o alcance do comércio local.
As comemorações pelos 80 anos da Aciai incluíram um jantar especial realizado no sábado, dia 23, em um momento marcado pela valorização da trajetória da entidade e pelo reconhecimento das pessoas que ajudaram a construir essa história. O evento também contou com a homenagem às empresas associadas que, em 2026, estão completando aniversário de fundação de 5, 10, 15 anos e assim sucessivamente.
Durante o evento, o atual presidente da Federação das Indústrias do Paraná (Fiep) e filho do fundador da Aciai, Virgílio Moreira Filho, relembrou ensinamentos recebidos do pai ainda na infância, especialmente a visão de que o empresário não deve ficar fechado apenas em sua empresa, mas precisa cultivar relacionamento, amizade e participação em entidades. “Aos empresários que não estão associados ainda, devem se associar. Porque as entidades de classe comercial, como a Aciai, representam os seus interesses, defendem os seus negócios, junto aos órgãos municipais, estaduais e federais. E a Aciai tem feito esse trabalho muito bom há anos, com diversos presidentes”.

presidente da Aciai
Uma entidade que cresceu junto com Irati
Quando fala sobre a Aciai, Enezito Rupel não descreve apenas uma entidade empresarial, mas uma construção coletiva que acompanhou décadas do desenvolvimento de Irati. Há cerca de 44 anos, ele participou do movimento que reativou a associação após um longo período sem atividades. Na época, segundo ele, empresários locais entenderam que fortalecer o comércio também significava fortalecer a própria cidade.
“Olhar a Aciai hoje, aos 80 anos, e ver a força que a entidade representa para Irati e para o Paraná é uma emoção muito grande”, afirma Rupel. “Nós tivemos presidentes que realmente vestiram a camisa da entidade e ajudaram a construir o que a Aciai se tornou hoje”, completa.
Ele relembra que a retomada da associação aconteceu por meio da união de empresários que acreditavam no associativismo como ferramenta de crescimento econômico e fortalecimento regional. “Tivemos a honra de reativar a entidade e hoje é gratificante ver tudo o que ela representa para a cidade e para a região”, destaca.
Já Elias Mansur, um dos presidentes que permaneceu mais tempo à frente da entidade, relembra que um dos maiores desafios de sua gestão foi fortalecer a credibilidade da associação e mostrar aos empresários locais a importância do associativismo. Sua trajetória dentro da entidade começou em 1984, quando se tornou associado. Dois anos depois passou a atuar como secretário e assumiu a presidência em 1988, permanecendo até 1996. Décadas mais tarde, voltou novamente à presidência entre 2019 e 2022.
Mansur afirma que, naquele período, houve uma reorganização da própria visão sobre a entidade, buscando criar serviços que realmente atendessem os interesses dos associados e estimulassem o crescimento dos pequenos negócios.
Entre as iniciativas implantadas durante sua gestão estiveram as feiras de ponta de estoque e as centrais de compras coletivas. “Chegamos a reunir cerca de 40 pequenos varejistas comprando juntos para conseguir competir com grandes supermercados da região”, relembra. Segundo ele, a proposta era fortalecer o pequeno empresário local e mostrar que o associativismo poderia criar oportunidades mais equilibradas dentro do mercado. “Era uma maneira de mostrar que o pequeno comerciante não estava sozinho”.
Outra conquista destacada por ele foi a ampliação e conclusão da sede própria da associação, além da regularização da escritura pública do imóvel. “A maior conquista foi concluir a sede e fortalecer ainda mais o nome da Aciai no Paraná”, afirma.
Elias também cita a criação do Conselho da Mulher Empresária — atualmente Aciai Mulher — como um importante passo para ampliar a participação feminina dentro da entidade. Durante sua gestão, a associação também contribuiu para o fortalecimento do associativismo regional, auxiliando na criação de associações comerciais em municípios vizinhos, como Rebouças, Rio Azul, Imbituva, Mallet e Prudentópolis.
Outro marco lembrado por ele foi a realização do primeiro Congresso da aciai, que reuniu representantes de cerca de 197 associações comerciais do Paraná em Irati. “A Aciai se tornou referência no Paraná”, resume.
A força feminina na história da Aciai
A presença feminina também ajudou a transformar a história da associação ao longo das décadas. Criada em 1990, a Aciai Mulher tornou-se um dos núcleos mais atuantes da entidade, fortalecendo o empreendedorismo feminino e incentivando a participação das mulheres em espaços de liderança.
Antes mesmo da criação oficial do núcleo, mulheres já participavam ativamente das ações da associação. Entre elas está Fátima Jenczmionk, primeira mulher a assumir a presidência da Aciai.
Ela relembra que sua relação com a entidade começou ainda quando atuava como empresária no comércio local e participava do então Conselho da Mulher Empresária. “Sempre participei das reuniões, campanhas e ações da associação. Mesmo quando não ocupava cargos, continuava ajudando”, conta.
Fátima recorda que a construção da sede da entidade mobilizou empresários e voluntários em uma verdadeira corrente coletiva. “A gente saía pelas ruas vendendo consórcios para arrecadar recursos para construir a sede da associação. Era um trabalho de corpo e alma”, relembra.
Segundo ela, havia um sentimento de pertencimento e responsabilidade coletiva pelo crescimento da cidade e fortalecimento do comércio local. “Era um trabalho pensando no município, pensando nos empresários e pensando na cidade”.
Ela também enfatiza a satisfação de ter sido a primeira mulher a assumir a presidência da entidade em uma época em que a presença feminina nos espaços de liderança empresarial ainda era muito menor. “Fico feliz por saber que deixei minha marca ali e que contribuí para essa história”, comenta a presidente.
Atualmente à frente da Aciai Mulher, Caroline Rezende Filipczak afirma que falar dos 80 anos da entidade também é falar sobre o protagonismo feminino. “O empreendedorismo feminino vai muito além de abrir um negócio. Quando uma mulher empreende, ela transforma realidades, gera empregos e fortalece toda a cidade”, ressalta.
Segundo Caroline, além das capacitações e projetos, o núcleo busca ser uma verdadeira rede de apoio para mulheres empreendedoras. “Queremos que as mulheres se sintam seguras para crescer, criar conexões e ocupar espaços de liderança”.
Aciai Jovem e as novas gerações
O olhar para o futuro também ganhou espaço dentro da entidade com a criação da Aciai Jovem, em 2014. O núcleo reúne jovens empresários e empreendedores da cidade em iniciativas voltadas ao associativismo, capacitação e troca de experiências. “Dentro da Aciai Jovem, todos somos professores e alunos ao mesmo tempo”, define Henrique Cansian, atual presidente do núcleo.
Ele afirma que a Aciai Jovem funciona como uma verdadeira escola de empreendedores, onde o crescimento acontece de forma coletiva. “Muitas vezes, alguém leva um problema enfrentado dentro da empresa e outro integrante já passou pela mesma situação. Essa troca fortalece todos nós”, explica.
O núcleo promove workshops, palestras, encontros estaduais e projetos voltados à formação de lideranças e fortalecimento do empreendedorismo regional.
Entre as iniciativas desenvolvidas estão o “Jovens Capitães”, que convida empresários locais para compartilhar experiências, além de eventos esportivos e encontros de networking.
Para Henrique, a experiência vai além do ambiente empresarial. “A Aciai Jovem é uma experiência que precisa ser vivida. Crescemos juntos e fortalecemos o empreendedorismo da cidade”, completa.
Transformações ao longo das décadas
Ao longo de 32 anos dentro da entidade, a secretária executiva da Aciai, Simone dos Anjos, acompanhou não apenas a transformação da associação, mas também a mudança do próprio perfil empresarial da cidade.
“Tudo era analógico. Os processos eram manuais, os registros físicos e a comunicação muito diferente do que vivemos hoje”, recorda. Segundo ela, a entidade precisou se reinventar constantemente para acompanhar as mudanças do mercado, da tecnologia e das necessidades dos empresários. “Vi a tecnologia mudar completamente a forma de fazer negócios”.
Simone acompanhou a chegada da informática, da internet, da certificação digital, dos sistemas integrados e da comunicação instantânea — mudanças que transformaram completamente o ambiente empresarial.
“Tive a oportunidade de trabalhar com diferentes presidentes e aprender com cada gestão. Isso ampliou meu olhar sobre liderança, associativismo e desenvolvimento empresarial”, afirma.
A secretária executiva também participou da criação de coordenadorias e projetos regionais voltados ao fortalecimento do empreendedorismo e do associativismo. Para ela, a história da Aciai sempre foi construída coletivamente. “Nenhuma grande instituição é construída sozinha. Ela nasce do trabalho conjunto, da confiança e do propósito compartilhado”, observa.
Fernanda Hraber

