Bons hábitos alimentares e estilo de vida são fundamentais para prevenir a hipertensão
Assim como a obesidade e outras doenças cardiovasculares, a pressão alta pode acometer as pessoas a partir da interação de diferentes fatores de risco, como o alto consumo de alimentos ultraprocessados, gorduras, sódio, bebidas alcoólicas e o sedentarismo, entre outros determinantes relacionados ao estilo de vida.
A hipertensão arterial, conhecida popularmente como pressão alta (PA), é uma doença crônica que acomete crianças, adultos e idosos, de ambos os sexos e de todas as classes sociais. É uma condição multifatorial e um dos principais fatores de risco para complicações das doenças cardiovasculares.
Assim como a obesidade e outras doenças cardiovasculares, a pressão alta pode acometer as pessoas a partir da interação de diferentes comportamentos de risco, como o alto consumo de alimentos ultraprocessados, gorduras, sódio, bebidas alcoólicas e o sedentarismo, entre outros determinantes relacionados ao estilo de vida.
Segundo a Secretaria estadual da Saúde (Sesa), 2.186.861 pessoas convivem com hipertensão arterial no Estado. O levantamento considera dados do início do primeiro trimestre de 2026. De janeiro a fevereiro, os atendimentos individuais na Atenção Primária à Saúde (APS) chegaram a 820.959, enquanto no mesmo período de 2025 foram registrados 804.846 atendimentos.
O secretário da Saúde, César Neves, ressaltou a importância de uma alimentação saudável na rotina a fim de prevenir a alteração da pressão e de outras doenças. “A redução do consumo de alimentos ultraprocessados no cardápio traz grandes benefícios à saúde. O alimento é o pilar da nossa estrutura; tudo o que consumimos se transforma em energia para o corpo, a mente e o desempenho no cotidiano”, disse.
De acordo com o parâmetro atual, atualizado no final de 2025, a pressão arterial de 120/80 mmHg (popularmente conhecida como 12 por 8) deixou de ser considerada ideal e passou a integrar a categoria de pré-hipertensão. Para ser classificada como normal, a pressão deve estar abaixo desses valores.
Entre os principais fatores de risco para a hipertensão estão os hábitos alimentares inadequados (especialmente o consumo excessivo de sal), sobrepeso e obesidade, sedentarismo, tabagismo, consumo de álcool e, em alguns casos, fatores genéticos. Além disso, a hipertensão é o principal fator de risco para doenças cardiovasculares, como infarto agudo do miocárdio (IAM), acidente vascular cerebral (AVC), doença renal crônica, ocasionando em mortes prematuras.
A nutricionista da Divisão de Promoção da Alimentação Saudável e Atividade Física da Sesa, Viviane Bogasz de Melo, orienta sobre a importância da redução do consumo de sódio e de alimentos ultraprocessados.
“Devemos ter cautela com o consumo diário de sódio, que muitas vezes passa despercebido. A recomendação é não ultrapassar 2 gramas de sódio por dia, o equivalente a cerca de 5 gramas de sal de cozinha. Na prática, isso significa reduzir o uso do sal no preparo dos alimentos e evitar o consumo de produtos ultraprocessados, que frequentemente contêm altas quantidades de sódio”, alertou.
DIA NACIONAL DE PREVENÇÃO E COMBATE – O dia 26 de abril marca a conscientização e o combate à hipertensão arterial. A data tem como objetivo alertar sobre a doença que afeta cerca de 28% da população brasileira, segundo dados da Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico (Vigitel).
Aferir a pressão regularmente é a maneira de diagnosticar a hipertensão. Pessoas a partir dos 20 anos devem fazê-lo ao menos uma vez por ano. Em casos de histórico familiar, a recomendação é fazer a medição pelo menos duas vezes ao ano.
A pressão alta não tem cura, mas possui tratamento e pode ser controlada. Apenas o médico pode indicar o melhor método para cada paciente. Além do uso de medicamentos, é fundamental ao hipertenso adotar um estilo de vida saudável, com alimentação equilibrada, atividade física, sono de qualidade, controle do estresse e evitar o uso de cigarro e álcool.
REDE DE DIAGNÓSTICO E PREVENÇÃO – A Sesa direciona o cuidado em saúde da população por meio da Rede de Atenção à Saúde, que inicia pela proteção, prevenção e tratamento, nas Unidades Básicas de Saúde (UBSs), com aferição, controle, orientação e diagnóstico e tratamento.
Além disso, a pasta orienta as equipes da Atenção Primária à Saúde sobre a Estratégia do Risco Cardiovascular, que tem como objetivo qualificar a atenção integral às pessoas com condições consideradas fatores de risco para as Doenças Cardiovasculares (DCV). A iniciativa busca fortalecer ações voltadas à promoção da saúde e ao controle dos níveis pressóricos (PA), incentivar a adesão ao tratamento e estimular mudanças no estilo de vida. Como resultado, espera-se reduzir a ocorrência de complicações, internações e óbitos associados a essas condições.
Como estratégia indutora para a avaliação do risco cardiovascular (RCV), a Sesa incorporou um indicador específico ao Programa de Aperfeiçoamento para Profissionais da Saúde (PROAPS) Paraná, com objetivo de estimular as equipes e realizarem a estratificação do risco cardiovascular na população de 40 a 74 anos. A medida possibilita o rastreamento e o diagnóstico precoce da hipertensão arterial, além de qualificar o manejo clínico dos usuários, contribuindo para prevenção de complicações e a oferta de um cuidado mais oportuno e resolutivo.
ULTRAPROCESSADOS – Os alimentos ultraprocessados são nutricionalmente desbalanceados com baixas quantidades de fibras, vitaminas, minerais e compostos bioativos e com elevadas quantidades de aditivos químicos, gorduras, açúcares e sódio e por meio de diferentes fatores afetam negativamente a regulação de fome e saciedade, induzindo ao consumo excessivo. Além disso, o consumo excessivo de ultraprocessados impacta negativamente na microbiota intestinal, reduzindo a diversidade e abundância de bactérias benéficas no intestino e promovendo um desequilíbrio que gera inflamação intestinal e torna-se um terreno fértil para alterar o metabolismo e para o surgimento de obesidade, hipertensão, doenças cardiovasculares, neoplasias, diabetes, entre outras.
A Sesa reforça que o mais importante é adotar medidas de controle para evitar que a pressão arterial se torne um problema mais grave. Manter hábitos saudáveis, cuidar da alimentação, praticar atividades físicas regularmente e evitar o tabagismo são atitudes fundamentais para reduzir riscos e preservar a saúde.
Agência Estadual

