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15/05/2020

Produção de leite, perspectivas e percalços

Produção de leite, perspectivas e percalços

Dentre os produtos alimentícios mais consumidos no cotidiano, o leite tem sido o centro das atenções por vários motivos nos últimos tempos. No mês de março, logo que o isolamento social mais rigoroso começou no Paraná, o aumento do preço do produto  nas prateleiras dos supermercados levou os consumidores a procurarem o Procon-PR.  No dia 31 de março o órgão de defesa do consumidor notificou algumas das principais indústrias, como Santa Clara, Líder, Tirol e Frimesa,  para que justificassem o aumento.

Em abril os preços voltaram ao normal nos supermercados. Entretanto, neste mesmo mês, houve queda no consumo de produtos lácteos, como queijos, pois pizzarias, restaurantes e lanchonetes permaneceram fechados. Em maio, são os produtores de leite que reclamam, pois as indústrias baixaram o preço pago pelo litro de leite ao mesmo tempo em que os custos para a produção aumentaram – a ração subiu e a seca tem ocasionado problemas nas propriedades rurais.

O Conselho Paritário Produtores/Indústrias de Leite do Estado do Paraná (Conseleite-PR) quer que os preços que haviam sido combinados anteriormente sejam mantidos pelas indústrias, evitando que a conta fique para o pecuarista pagar. O órgão cobra mais diálogo para que o setor lácteo continue em crescimento no Paraná – que tem a segunda maior bacia leiteira do Brasil, atrás apenas de Minas Gerais – e no País.

Dar amparo ao produtor de leite é uma das demandas econômicas do momento, dentre as políticas públicas necessárias para atender o setor de agropecuária. No Paraná, uma das iniciativas já sinalizadas pelo governo é a compra da produção excedente, que poderá ser destinada para a fabricação de leite em pó para a merenda escolar. 

Em âmbito municipal, as prefeituras têm feito o seu papel, na medida das possibilidades de que dispõem. Seja auxiliando na perfuração de poços ou levando água até as propriedades rurais mais afetadas pela estiagem, onde os animais têm sido prejudicados, e consequentemente a produção de leite também.

O pecuarista continua mantendo a sua rotina de produção, apesar dos percalços do momento atual: pandemia, oscilação no preço pago pelo litro do leite, a seca que afetou o pasto e água para os rebanhos. Ele está sereno, pois conviver com as intempéries climáticas e com os ditames da indústria láctea já são parte da atividade rural, repleta de altos e baixos.

Cada produtor busca a melhor alternativa para o seu caso, com a paciência de quem observa o mundo através de sua experiência como que é natural. Experiência esta que envolve, por exemplo, esperar que novos animais cresçam para produzir, que envolve guardar a silagem, saber que o inverno vai afetar a produção, dentre tantos outros fatores que fogem do imediatismo. 

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