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Uma questão de horizonte

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Já falei aqui há uns seis anos do prefeito de Porto Murtinho, MS, Nelson Cintra. Lembro de haver contado de alguns planos/projetos que fariam parte do programa de governo de um recém eleito mandatário. Dentre as ações previstas estava a desativação da pista asfaltada do aeródromo local e transformá-la em uma instalação capaz de abrigar a operação de pequenos aviões cargueiros e jatos de médio porte. Juro, achei que pra uma cidade de pouco menos de trinta mil habitantes e a possibilidade de instalação de um frigorífico, aquilo sugeria algo que beirava aquelas utopias que, não raro, infestam a cabeça de novos administradores. Não era! O Nelson não só mandou destruir o que havia como transferiu o movimento – não muito denso – local para uma pista de grama de uma fazenda próxima à cidade, e correu atrás do prejuízo. Passados quatro anos a cidade ganhou, com empenho do prefeito, uma pista de 1600m de extensão com 35m de largura, estação de passageiros e outras facilidades que contemplam uma instalação desse porte. É o que eu chamo de visão administrativa. Pode parecer um exagero pro momento, mas a obra mira o futuro, é lá que ela vai se justificar. Irati teve, quando foi desativado o antigo campo de aviação diante da promessa de construção de um novo aeródromo, a possibilidade de se igualar, em termos de acesso de transporte, a algumas outras dezenas de municípios do Estado que possuem seus aeroportos e aeródromos. Hoje, confesso, me arrependo profundamente de ter participado das ações e promessas que envolveram os mandatários locais e os remanescentes do Aero Clube de Irati, proprietário da área onde estão instaladas algumas empresas, nacionais ou não. Lembro que a permuta estava avalizada pela promessa de, em seis meses, devolver-se ao Aero Clube, uma pista de iguais dimensões: 1400x30 metros, mais a construção de uma pequena estação de passageiros. Confesso, acreditei mal, e vendi a ideia. De lá prá cá, já ouvi de tudo e de todos – incluindo na lista palavras e compromisso de governador de estado e seu respectivo vice, prefeitos e demais autoridades assim reconhecidas, de que agora sai, e não saiu. No momento que escrevo esta anotação tudo gira em torno da assinatura de uma licença ambiental, que pode ter saído e eu não sei. Se tiver havido, me redimo e vou rever minha posição; caso não, acho que vou ter que contar a história, devidamente documentada, do porque não – ou os motivos alegados – foi construído o aeródromo de Irati. Provavelmente vai ser a minha história contra a deles. Mas acho que vai ser bem interessante.

Ed. 508 03/03/2010

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