Como vimos na edição anterior, o conceito “terceiro setor†não é esclarecedor, mas sim confuso e sem identidade clara. Pois, sob este conceito, reúnem-se organizações não-governamentais, organizações sem fins lucrativos, organizações da sociedade civil, associações de moradores, igrejas, clubes, instituições culturais, e tantas outras. O Green Peace (defesa do meio ambiente), o MST (luta pela reforma agrária), a Fundação Roberto Marinho (fundação ligada àRede Globo de Televisão), as associações de bairro, as atividades “sociais†de um polÃÂtico, e todos os outros casos, são considerados como “Terceiro Setorâ€Â. Portanto, este conceito reúne inúmeros atores, com atividades semelhantes, mas com intenções, interesses, filosofias e espaços sociais diversos, contraditórios e até contrários.
Outra questão são os termos que definem as entidades pertencentes ao “terceiro setorâ€Â: entidades “não-governamentaisâ€Â, “auto-governadas†e “sem fins lucrativosâ€Â.
Quando uma ONG é financiada pelo governo, como se fosse uma terceirizada, para desenvolver uma função atribuÃÂda ao Estado, parece que determinada ONG não está adequada ao termo “não governamentalâ€Â, principalmente na medida em que o Estado passa a selecionar sempre determinada instituição, e não outras, em seus financiamentos para execução de projetos, programas e parcerias. De certo modo há, a partir de uma polÃÂtica governamental, uma escolha seletiva, que leva àpermanência de determinadas ONG’s em projetos estatais e não outras. Estas Ong’s, praticamente estatais, ferem o conceito de “auto-governabilidade’, pois estão condicionadas às polÃÂticas governamentais. Sua existência, seus recursos, seus projetos, suas prioridades, não têm autonomia alguma, pois a prática, a ideologia e os recursos estão diretamente ligados às polÃÂticas de governo.
A questão mais intrigante é o aspecto mercadológico que se apresenta no conceito de “sem fins lucrativosâ€Â. Entre as entidades sem finalidade lucrativa, estão as Fundações ligadas as grandes empresas, como bancos, redes de mercados, companhias de tabaco etc. Estas fundações são como braços sociais das empresas e tem a clara função de fortalecer a marca, mostrar responsabilidade nas questões sociais, agregar valor ao produto e gerar mÃÂdia social. Assim, têm claro fim lucrativo, mesmo que indireto.
Na próxima edição estaremos discutindo sobre a real função do “terceiro setorâ€Â





