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Sniper

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Semana passada, depois que mandei a matéria pro jornal lembrei que o tema a ser tratado era outro – este – mas já era tarde. Fiquei meio na contra mão com a história daquele seqüestro, no Rio de Janeiro, que acabou com um atirador de elite da PM do Rio, acertando a cabeça do bandido. Compactuo com a declaração de um delegado do Rio de que “bandido bom é bandido mortoâ€. Não adianta essa gente não tem solução. Ou você está achando que um cara que sequestra alguém e manda a orelha do sequestrado pra família, pra forçar o pagamento do resgate, vai, ao olhar a Bíblia, ou depois de uma sessão de bons modos, sair correndo pro primeiro centro de evangelização gritando que encontrou a salvação? Sai dessa vida, cara-pálida! Concordo em gênero, número e calibre com aquele policial e com quem tomou a decisão de detonar o bandido. Tenho certeza de que senão todos, uma significativa minoria desses bandidinhos meia boca - meia boca mesmo, esses caras só são o que são em bando e armados, quero ver de frente, mão limpa se elas berram como berram quando tão com time por perto – vão pensar várias vezes sabendo que pode ser o depositário de uma 7.62, de preferência na cabeça. E não quero ser conhecido como defensor da pena de morte, sou defensor do troco, de pagar na mesma moeda, de deixar as coisas iguais. O que eu não concordo é com o comportamento da imprensa. De repente transformaram o atirador em herói, astro de Tv. Considerando que a morte já não causa a indignação de ninguém, oficializada e glamurizada, a ação, a tendência é que logo logo comecem a surgir torcidas organizadas pra assistir aos abates. Ta certo, sou um ingênuo, não entendo nada disso (e não só disso, confesso), mas sou do tempo de uma Irati armada, verdade! Não totalmente, claro, mas conheci um monte de gente que não tirava da cintura coisas que variavam de um “matadozinho†22, ao escracho de um 44/45, passando por calibres outros como 6,35, 7,65 e teve até neguinho, naqueles tempos, que se dava ao luxo de envergar o desejo de todos os desejos: uma Walter 9mm, cujo dono morreu e a Walter sumiu. E, preste atenção, ninguém sacava arma pra ninguém! Nunca me deixei fascinar pela posse dessas traquitanas, mas não posso negar que sempre exerceram em mim, como as motocicletas de altas cilindradas, um fascínio quase incontido, mas cheguei a conclusão que não sirvo nem pra armas e nem pra suicídio. Vi numa loja, há não muito tempo, uma pistola Glock, toda em fibra de carbono, num estojo que lembrava muito esses caixões de defuntos muito ricos, que cheguei a tirar da caixa pra matar a curiosidade, e disse-lhe: muito prazer, e devolvi-a ao seu habitat. Lembrei dela agora. Pra resumir: armas, atiradores – snipers ou não – gente andando armada, não importa com que ou com qual calibre, é uma questão de cultura. O Rio Grande do Sul, é o estado mais armado do Brasil e, nem por isso, é onde se mata mais com arma de fogo. Se você for mais longe, vai descobrir que nos EUA a estatística diz que existe mais de uma arma por cidadão, e nem por isso se mata mais lá do que aqui.
Não venha com as histórias daqueles malucos que de vez em quando aparecem fuzilando meio mundo, aquilo é demência, é outra história. E como existe a tal da cultura entre portar uma arma e sacar uma arma, essa coisa de campanha de desarmamento é tampar sol com peneira. Por que? Porquê desses caras que eu vi armados por aqui, não lembro de nenhum com um AK47 ou ameaçando tirar o pino de uma granada, logo, o erro não ta no povão. Ta numa tal de desagregação. De quê? Há, pense um pouco, né.

Ed. 489 07/10/2009

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