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O que se ouviu por ai

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“Ou as bocas-de-matildes se renderam à discrição e se reservaram ao fechamento da conveniência ou a surdez virou endemia individualizada. Como bocas-de-matildes e discrição não se reservam, porque não se admitem; e endemia não se individualiza, porque não seria endemia; há surdez sim pairando nos ares úmidos dessa terrinha. E isso é ruim porque há coisas muitas sendo ditas por aí que merecem registro. E não me olhe assim porque eu to no time dos falantes por aí e não dos ouvintes por aí.â€
Do mais oferecido dos faladores por aí, em provocação explícita à interrogação ocular, avizinhando mesa de bar.

“Que me perdoem os responsáveis pela administração do empreendimento, mas recessar em pleno período de férias, é uma irresponsabilidade atroz. Deixamos nós de acessar cultura e eles de faturar. É o reverso da sensatez.â€
De uma anti-recessadora em férias, irresponsabilizando a subjetividade pela ausência de cinema no período de férias.

“O quarto é o mais forte dos poderes. Sorte social é que a sua capacidade de cobertura determina-se pela disponibilidade de financiamento oficial. Não fosse adestrada por esse dinheiro, estaríamos fatalmente subjugados aos seus valores que não estão relacionados à liberdade de expressão, tampouco vinculados aos princípios democráticos. Obedecem à lógica do poder exercido ditatorialmente em defesa dos interesses determinados pela capacidade de lucro e riqueza. Há poucas possibilidades de enfrentamento a esse poder, das quais a cultura desponta como a mais forte. E o paradoxo está posto.â€
De um vinculador de idéias alucinadas a ideais alucinantes.

“Começará, mais uma vez, o festival de baixarias, muita mentira e muita verdade, sobre os candidatos que se apresentarem. E mais uma vez a sacralidade do voto será colocada à prova da fé.â€
De uma misturadora de teorias, colocando lenha verde numa fogueira apagada.

“E o povo, perdido entre as promessas que se farão, as suas necessidades e as suas esperanças, terá a responsabilidade de escolher o mais sério dos representantes que se apresentarem. O problema, enfim, não será escolher o candidato, mas superar o ceticismo que lhes permita a escolha certa entre tantas fragilidades.â€
Da mesma misturadora de idéias, insistindo em atear fogo com lenha verde.

Enquanto isso...
“Dormia a nossa pátria mãe tão distraída, sem perceber que era subtraída em tenebrosas transações. Seus filhos, erravam cegos pelo continente, levavam pedras feito penitentes, erguendo estranhas catedrais. E um dia, afinal, tinham direito a uma alegria fugaz, uma ofegante epidemia, que se chamava carnaval. Vai passar!†CBH

Ed. 507 24/02/2010

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