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O que se ouviu por ai

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“Quando dizem “a verdade é que...” estão reduzindo o assunto ao que se está afirmando. É a concretização do reducionismo. Põe-se fim à argumentação. É estratégico para quem não consegue aprimorar o que o outro afirma; é estratégico para quem não se permite à contrariedade; é estratégico par quem não tem capacidade argumentativa.”
De um estrategista desaprimorado, reduzido pela constatação das verdades ditadas.

“Os acontecimentos naturais o são independente da nossa capacidade de entendê-los. O que podemos, devemos, mas não fazemos é alterar a postura frente aos riscos naturais que criamos ao interferir negativamente na natureza. Falo claramente em relação à produção de lixo. Ou repensamos nossos hábitos ou não poderemos nos assombrar com as respostas que a natureza nos dá. E isso nem precisa de capacidade para entender.”
Explicação lógica às analogias extravagantes que se fazem em relação ao que acontece no mundo dos desaproveitados.

“Nosso presidente está dando de dez a zero no de vocês. Desde o processo que o elegeu e reelegeu até as suas atitudes pós tomada de poder. Aliás, principalmente essas! As expectativas mais sombrias foram aos poucos se desfazendo e os otimismos mais ingênuos foram aos poucos se concretizando. E isso é contrário ao que se vê das ações do seu presidente. O mundo aguardava um posicionamento mais enfático em relação aos grandes problemas universais, dos quais vocês são grandes responsáveis. E o que vemos? Nada! Nenhum avanço em relação às propostas preservacionistas. Ainda assim, seu presidente tem razão: o nosso, é o cara!”
De um interlocutor do sul do Equador, em prosa descontraída com um do norte, ufanizando a cachaça, virando a cara e torcendo o nariz ao lixo acumulado nos rios.

“Tinha um passarinho tão lindo levando uma minhoquinha para o seu filhote. A vaquinha pastava feliz no fulgurante pasto. O córrego de águas límpidas desaguava num maravilhoso rio aonde os peixes eram vistos de longe e quase se podia escolher o qual se iria pescar. As árvores embalavam seus galhos ao som da música celestial que lhe cantava o vento e, tão logo a noite chegava, as estrelas rivalizavam com os vaga-lumes para enfeitar a escuridão. E pode despreterizar os tempos verbais e presenteá-lo, porque é assim que as coisas estão.”
De uma revoltada operadora de sistemas, envenenando o sonho e esculhambando com o tempo, enquanto paga o conserto do carro, estragado numa cratera, por aí.

Enquanto isso... aonde?
“O canário morreu, a roseira secou, o papagaio emudeceu e o cano d`água estourou.”

Ed. 503 27/01/2010

Capa desta Edição
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