“Não conseguimos entender essas manifestações, porque nossa cultura nos fez acomodados. O que para nós é explosão de violência, para eles é exercício de liberdade. Eles vão para as ruas, incendeiam automóveis, fazem barulho e se manifestam de muitas formas e os políticos, de lá, sabem que à descoberta das suas falcatruas sofrerão represálias populares e a rejeição pelo voto. Entendem? Lá as classes se organizam pelo conhecimento. Aqui é diferente. Fomos criados para não nos manifestarmos. Fomos educados para isso. Essa apatia, é fruto de uma doma impeditiva à emancipação humana, doma comprada, forjada pela injustiça e exploração. Somos falhos, omissos. Nossos olhos vêem, nosso coração sente, mas nossa consciência não nos estimula a vencer esse imobilismo retardante da nossa história. Ficamos chorando as pitangas e apontamos os dedos para nossos pais que nos legaram essa perversidade social. Mas e nós, o quê estamos fazendo para legar uma outra sociedade aos nossos filhos? Nada! Não estamos fazendo nada! Vemos os caras surrupiarem, desviarem, negarem o que nos é de direito e sequer conversamos sério com eles sobre isso. Nos acovardamos. Nos permitimos calar pelo oportunismo. Nos deixamos prostituir pela conveniência.”
De um cético olhador em espelhos, comentando manifestações civis européias, contrabalanceando-as às imagens refletidas cás, organizadamente prostituídas.
“Tem gente que se acha. Tem gente que se perde. Eu, meu anjinho, me acho. Você, seu vermezinho, pensa que se perde. Só que para se perder, você precisaria, antes, existir.”
Pensamento lido pelo olhar numa repartição qualquer, e interpretado por um guru de lua minguante.
“Parece brincadeira mas não é. Infelizmente não é! Aqueles conceitos primitivos de dominação e manipulação, tão desejadamente já superados; tão desejadamente já coisas do passado; tão desejadamente já repelidos por aqueles que se dizem responsáveis pela informação, de repente se apresentam assim, agasalhados pela hipocrisia que faz acreditar que todos somos idiotas. Pior, faz perceber que somos todos idiotas. Explicado, então, o sorriso não maroto, porque seria até ingênuo classificar assim, mas debochado, com que apresenta os esclarecimentos. O que me mantém, ainda, assim, ofegando dignidade é essa percepção de eu pertencer ao todo. Diria consciência, mas isso já está demais desgastado. Afinal, que consciência mantém os braços cruzados? Que consciência é essa que promove o aplauso e não a vaia? Que consciência é essa que aceita o tapinha nas costas? Que consciência é essa que à referência da verdade enlixada, produz o riso?”
De um anônimo desejador de realidades outras, babando inconformismo na percepção idiotizada das consicências vãs.
“Meu querido, quer um conselho? Um bom conselho? Se quiseres mesmo perder essa barriga, hás que recuperar, primeiro, o que já perdeste, da cara. Isso mesmo. Tens que primeiro achar a vergonha que já perdeste, para depois perder o que te incomoda mais. Por favor não me interprete mal. Eu só quero dizer isso que disse!”
De uma dizedora de verdades aconselháveis, malinterpretando-se nos achamentos propostos.
Enquanto isso...
“Estranha mania essa, de ter fé na vida.”
Ed. 493 04/11/2009





