“Não gosto dele. Aliás, não gosto de ninguém próximo a ele. Sua equipe ministerial; sua assessoria, sua polÃtica. Não gosto dele como presidente e o considero absolutamente descontextualizado, e entenda isso como quiser. E te digo mais, não gosto dele porque em relação a tudo o que já passou pelo posto maior, que hoje ele ocupa, não chegou aos seus pés em matéria de maniqueÃsmo e capacidade de articulação. Assusta-me até pensar que se esse homem fosse letrado, estudado mesmo, estarÃamos diante de um fenômeno de massas. E a prova disso está aÃ, na conquista do Rio de Janeiro para sediar as OlimpÃadas de 2016. Podem fotografar o rei do futebol; podem enaltecer o discurso dessa ou daquela personalidade. Mas todo mundo sabe e o mundo reconhece que a peça decisiva para essa escolha tem nome. Continuo não gostando dele, mas tiro o chapéu para ele.â€
De um arraigado não gostador de celebridades, tirando o chapéu para a mais incômoda delas, minimizando as conquistas que outros não conseguiram.
“Não sei se conseguiremos equiparar em grandiosidade e beleza o que foi realizado em Pequim. Garanto-lhes, porém, que a menor alegria presente em cada atividade que se definir será muito superior à maior das alegrias que eles conseguiram mostrar. Teremos, sim a oportunidade de produzir beleza com alegria. Somos uma gente tão bela quanto alegre e nossa capacidade resultará dessa fusão mágica e tão verdadeira.â€
De uma conseguidora de finalizações afirmativas em marcha ré. Paradoxando as extremidades e alegrando-se nas desafirmações conturbadas. Só por mágica mesmo.
“Restará ao povo o grande desafio de não se deixar ludibriar pela idéia de grandiosidade que 2016 produzirá. Esse canto da sereia não pode servir de cobertor para maracutaias. As autoridades diversas; os representantes legÃtimos; os lÃderes de todas as categorais, de todas as áreas; precisarão estar atentos para que não se produza em tempos de euforia a letargia reacional.â€
De um atento anti ludibriador popular, profetizando possibilidades corrupcionais em anúncio de reações letárgicas.
“Já se afirmou que o verdadeiro mentiroso é aquele que acredita na própria mentira. Pois vejo gentes que, ou são verdadeiras mentirosas porque acreditam nas próprias mentiras que produzem, ou são caras de pau sem correspondência referencial nem comparação plausÃvel. Fazem afirmações mentirosas convictas de que os que sabem que estão mentindo não declararão isso. E os que não sabem simplesmente acreditarão na mentira.â€
De um desossado percebedor de mentiras, intrigando-se ao espelho enquanto mateia nas divagações imaginÃsticas.
Enquanto isso...
“Audiatur et altera pars.â€
Ed. 489 07/10/2009





