"Do jeito que as coisas não estão indo, ou você está absolutamente surdo, e portanto impedido de ouvir qualquer coisa por aí; ou a preguiça está sendo maior que o tempo para traduzir o que está sendo dito por aí; ou estão acontecendo coisas que você não quer ou não gostaria de estar ouvindo por aí; ou ainda, o que se está ouvindo por aí são coisas indizíveis ou, se dizíveis, intraduzíveis. O fato é que essa sua ausência tem apontado para a lógica, para você perversa para mim natural, de que há coisas que não fazem falta.”
De um sincero leitor, comentando as seguidas ausências destas linhas, destacando a inutilidade do que se estabelece entre o que se ouve, o que se traduz e o que poderia não ser nada, em frente ao espelho inspirador das últimas afirmações.
“O que determina a coragem para enfrentar as adversidades é a capacidade de acreditar em si e naquilo que está por ser vencido. Não se deve esperar que o descompromisso seja o estímulo para iniciativas transformadoras. Assim como não se deve esperar que grandes transformações aconteçam pelas mão de quem se habituou ao que é medíocre, pois o conhecimento adquirido não se deu pelas vias do compromisso pessoal, mas pela ganância ridícula estabelecida pela mediocridade quase pagã que impede uma leitura mais verdadeira do mundo e dos seus fenômenos.”
De um leitor de mundos, transformando observações pessoais em afirmações impessoais, mediocrizando transformações mascaradas e não esperando hábitos comprometidos.
“Ufanismo é o enaltecimento do que se possui, com a intenção de sobrevalorizar ou atribuir valores qualitativos exagerados às referências dos objetos enaltecidos. Ou seja, é a mania que temos de fazer com que as coisas mais elementares adquiram valores extraordinários em função não de uma paixão ou convicção, mas de uma necessidade de sentir-se mais ou maior do que se é. Você é um ufanista futebolístico, pois o seu time é uma porcaria e você você não é nada. Essa mania de ficar falando coisas grandiosas desse timeco é, a meu ver, uma forma de você sentir-se mais valorizado. Coisa doentia.”
De uma enltecedora de conceitos furados, remexendo o punhal nas entranhas mais sangrentas das verdades veladas, misturando o mundo dentro dum cesto furado.
“Não entendo mais nada. Até há bem pouco tempo dizia-se que o maior efeito do aquecimento global era a ameaça à extinção das reservas quíferas. Então quer dizer que já passou essa coisa de aquecimento global ou era tudo mentira? Ou o que está acontecendo é o inverso do que se previa. Se for assim, menos mal, porque na abundância de água abunda vida. Na secura, abunda nada.”
De um abundanciador de imaginações e interpelações desmedidas, invertendo previsões e fazendo trocadilhos secos.
Enquanto isso...
“Conquistamos todo o mundo antes de nos levantar da cama. Mas acordamos e ele é opaco, levantamo-nos e ele é alheio.” – Fernando Pessoa
Ed. 488 30/09/2009





