“Há os que são presos por suspeitas e os que são presos por confissão. E há os que não são presos de maneira nenhuma, mesmo o mundo todo sabendo da sua culpa. Em nome da democracia estão criando um estado de impunidade no qual as leis adquirem um sentido quase fictÃcio e estimulam os mais vulneráveis à punição ao delÃrio da imunidade. Esta, só é permitida a quem se blinda, seja de que forma for e em que circunstância for.â€
De um circunstanciador de blindagens, imunizando estÃmulos imputáveis.
“Não posso fazer nenhum juÃzo de valor moral, porque certamente não seria a pessoa mais indicada para isso e, se o fizesse, seria mesmo, muito hipócrita. Mas posso sim, fazer um juÃzo de valor polÃtico, na medida em que esse valor expressar minha consciência, minha cidadania, que, multiplicada na aceitação dos outros formaria uma rede que, pelo voto, transformaria as relações polÃticas atualmente dominantes em ações de progresso e desenvolvimento. Mas isso é impossÃvel, já que os seus eleitores sujeitam-se à subserviência tÃpica de quem não consegue pensar mais em si e muito menos nos outros.â€
De uma utópica indicadora de caminhares outros, desenvolvendo-se nas imagens ajuizadamente anti-hipocrisias e tristemente realÃsticas.
“Dos paradoxos mais difÃceis de se entender na contemporaneidade, entendo que o distanciamento entre as leis instaladas e a sua aplicabilidade indistinta, seja o mais cruel. Porque estabelece uma sensação de ceticismo, quando não de incredulidade, próprios das sociedades medievais, quando as leis não refletiam a justiça, mas o desejo de quem detinha o poder. E isso já está superado, ou deveria estar, nas sociedades modernas.â€
De um desaplicabilizador de medievalismos, contemporizando reflexos entendÃveis no foco das decisões poderosas.
“Parece que estamos fadados a conviver com a injustiça, com a corrupção, com o descaso, com os escândalos, com as ameaças, com as perseguições, com as extorções, com os equÃvocos, com a sordidez, com a violência. Não? Então me explique: é justo a absolvição de estuprador confesso? É natural o presidente do senado comprar a casa de um banqueiro condenado? É aceitável que uma grávida morra porque o médico lhe negou atendimento? É certo as nomeações secretas submergirem na desinformação? É decente o silêncio forçado e as manipulações da notÃcia? É comum o medo produzir pagamento pela segurança pública; pela liberdade pela proteção? Hein?â€
De uma perguntadora de obviedades, escancarando fados, confirmando purgações e provocando arrepios nos subservientes plantonistas que indiferenciam as coisas.
Enquanto isso... n‘A Ética, de Aristóteles...
“Ótimo é aquele que por si tudo entenda; sábio é também aquele que obediente ouça quem bem fala; mas quem por si não pense nem ouvindo a outrem sinta o coração desperto, este é, em verdade, um homem inútil.â€
Ed. 476 08/07/2009





