“A vida não reprisa os fatos. Essa prerrogativa da reprise das fatalidades e desgraças políticas é uma exclusividade humana. Não é nenhuma força sobrenatural que determina a razão política dessa gentalha que se diz representante do povo, o que lhes dá o poder e os renova em suas mão é o voto popular.”
De um prerrogativista nato, sobrenaturalizando as determinações políticas em conversa catártica.
“Não, meu querido, eles não são idiotas! Idiotas somos nós que dimensionamos nossa indignação ao tempo do término das notícias.”
De uma gentil socadora de estômagos, enfiando a verdade goela abaixo dos queridos e não-queridos, com hífen.
“Quando um homem se deixa dominar pela cólera ou qualquer outra paixão semelhante, forçosamente o seu julgamento será alterado; mas é bem difícil que todos ao mesmo tempo se deixem inflamar pela cólera e seduzir pelo erro.”
Não ouvida, mas lida. Não por aí. Em A Política, de Aristóteles.
“Essa gripe já atrpalhou demais. Não sabemos até quando irão as aulas, portanto não sabemos quando estaremos de férias. Pior, não sabemos até quando estaremos de férias.”
Do mais preocupado dos alunos, com a gripe; ponderando sobre a segunda maior preocupação, as férias.
“Sobre a reforma ortográfica? Faltou tirarem a crase. Isso eles tinha que abolir! Quando eu for para a Academia, a primeira coisa que vou propor será isso.”
De uma abolicionista de acentos, projetando-se na ABL.
“Esse jeito inconfundível de não dizer nada...”
De um inconfuso leitor, apostando a simpatia do mundo na expressão da verdade, nas palavras dirigidas ao convexo da gentileza.
Enquanto isso...
“Até as mais enferrujadas e desvalorizadas moedas têm dois lados.”
Edição 483 - 02/09/2009





