Será de responsabilidade dos planos de saúde brasileiros a cobertura do transplante alogênico de medula óssea
Irati - A partir de junho de 2010, os planos de saúde de todo o país passarão a cobrir os custos do transplante de medula óssea e também de um exame que possibilita a detecção de tipos variados de câncer. O transplante de medula que será incluído na lista de procedimentos obrigatórios aos planos de saúde, expedida pela Agência Nacional de Saúde Suplementar, é o alogênico (quando a doação é feita por outra pessoa). Os planos já cobrem o autólogo (quando a medula transplantada é do próprio paciente).
O transplante é indicado principalmente para o tratamento da leucemia. “Existem várias doenças que atacam a medula, mas a que mais ataca é a leucemia, que é o famoso câncer no sangue”, diz Cleoneide Aparecida Subalski, técnica em enfermagem responsável pelo Programa da Medula Óssea na Unidade de Coleta e Transfusão (UCT) do Hemepar em Irati.
Incluindo os cuidados do paciente após o transplante, o procedimento todo custa ao governo entre R$ 60 mil e R$ 80 mil. A expectativa é de que a inserção desse item no pacote básico dos planos de saúde não ocasionará um impacto grande, pois, embora o processo seja caro, não é tão frequente.
Doação de Medula Óssea
Apesar de se falar de transplante de medula óssea, o que acontece é uma reinfusão ou transfusão no doente de células progenitoras retiradas da medula do doador. As células saudáveis vão substituir as doentes e são responsáveis pela formação de novas células saudáveis. Mas, para que o transplante obtenha sucesso, as células saudáveis devem ser o mais possível compatíveis com as células do doente.
Por isso, as campanhas que incentivam a doação de medula óssea são intensas e necessárias. Em Irati, a UCT realiza o cadastro de possíveis doadores há aproximadamente três anos. Já existem mais de 600 pessoas cadastradas. Para realizar o cadastro, basta ter entre 18 e 55 anos e estar com a saúde em bom estado. “Não paga nada, não ganha nada. Livre de ônus nem bônus, mas salva vidas”, diz Cleoneide.
Devido à dificuldade em encontrar doadores compatíveis entre os não-parentes, foi criado um sistema chamado Registros de Doadores Voluntários de Medula Óssea, operacionalizado pelo Instituto Nacional de Câncer. Lá ficam os dados dos cadastrados em todo o país. Há algum tempo o Brasil passou a fazer parte do cadastro internacional. Caso haja a compatibilidade, o possível doador é contatado e assina um termo de consentimento. O próximo passo é o procedimento cirúrgico.
“Eles fazem pulsões no osso da bacia, que é onde se concentra em maior proporção a medula. Retiram 10ml por quilo do receptor, ou seja, cerca de 500ml, porque geralmente a pessoa que vai receber está fraca, com baixo peso”, explica Cleoneide.
“Essa medula se recompõe no organismo do doador em poucas semanas, cerca de uma ou duas. Dizem que os riscos restringem-se à anestesia. Conheço pessoas que fizeram o transplante e disseram não ter sentido nada, apenas uma dor local leve”, finaliza.
Passo a passo para o doador
- Qualquer pessoa que tenha entre 18 e 55 anos com boa saúde pode doar medula óssea. Esta é retirada do interior de ossos da bacia, por meio de punções, e se recompõe em apenas 15 dias.
- Os doadores preenchem um formulário com dados pessoais e é coletada uma amostra de sangue com 5ml para testes. Estes testes determinam as características genéticas que são necessárias para a compatibilidade entre o doador e o paciente.
- Os dados pessoais e os resultados dos testes são armazenados em um sistema informatizado que realiza o cruzamento com dados dos pacientes que estão necessitando de um transplante.
- Em caso de compatibilidade com um paciente, o doador é então chamado para exames complementares e para realizar a doação.
- Tudo seria muito simples e fácil, se não fosse o problema da compatibilidade entre as células do doador e do receptor. A chance de encontrar uma medula compatível é, em média, de uma em cem mil.
FONTE: INCA.
TEXTO: SCHEYLA HORST, DA REDAÇÃO.
ED. 504 03/02/2010





