Doenças de Inverno: cuidados e perigos

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Cuidados básicos ajudam a prevenir doenças

Com a chegada do inverno aumentam os números de doenças causadas pelas baixas temperaturas ou pela mudança brusca do clima, e além disso o frio leva muitos a ficarem em ambientes fechados o que proporciona a maior proliferação de vírus e bactérias. Entre as doenças mais comuns estão os resfriados que são ocasionados por tipos de vírus diferentes da gripe, como o rinovirus e parainfluenza; a gripe que é ocasionada por tipos diversos de vírus influenza; alergias, rinite infecciosa ou alérgica, faringite, laringite, pneumonia, asma, meningite, entre outras.
Segundo a Dra. Simone Saczkowski a mucosa do nariz, garganta e pulmões é composta de células pequenas que possuem uma espécie de cílio, responsáveis por fazer com que a secreção produzida continuamente por esta mucosa, circule e acabe sendo engolida. O frio atrapalha o movimento destes cílios, o que leva a uma maior produção de secreção na tentativa de proteger a mucosa da temperatura e ressecamento, facilitando as infecções e manifestações alérgicas. “No caso dos resfriados, são os vírus com manifestações sistêmicas, em geral mal estar, febres leves, obstrução nasal, incômodo na garganta, indisposição e que são curadas em 3 a 7 dias. Já as gripes podem se tornar mais graves, pois tem como agente infeccioso o vírus tipo A ( Gripe Suína) e B( Influenza Sazonal) que se manifesta com febre, dores articulares e musculares, queda do estado geral, coriza nasal, dor na garganta, dor de cabeça e tosse, podendo complicar com infecções bacterianas, também são tratadas com medicação sintomática”, explica Simone.
Além de gripes e resfriados outras doenças são comuns no inverno, com as rinites que são inflamações da mucosa nasal, desencadeadas por resposta alérgica ou infecciosa e que causam obstrução nasal, coceira, espirros, coriza e são tratadas de acordo com o tipo de inflamação. Segundo Simone, cerca de trinta por cento da população é portadora de rinite alérgica. As sinusites que são inflamações da mucosa dos seios da face e aparecem principalmente quando há resfriado, gripe, o tratamento é parecido com o da rinite, que evita o acúmulo de secreções e impede que ocorram complicações como otites (inflamação no ouvido). Também são comuns as faringites, inflamações da mucosa na região entre amígdalas e laringe, e que tem como sintomas dor ao engolir , tosse, mal estar e é transmitida por talheres e copos. A laringite que é a inflamação da região aonde se localizam as pregas vocais, causando rouquidão ou a chamada “tosse de cachorro”, e se acontecer rapidamente pode causar obstrução a passagem do ar.
A pneumonia também é comum nesta época e requer atenção e cuidado redobrado. A pneumonia é a inflamação de todo o pulmão ou parte dele, por vírus que são mais difíceis de serem tratados ou por bactérias. A asma que é uma doença crônica com inflamação dos brônquios, causa dificuldade respiratória, chiado, podendo chegar ao enfisema e insuficiência respiratória. A asma mata em torno de duas mil pessoas por ano no Brasil. Também é comum nesta época ocorrerem casos de meningite, que é a inflamação das meninges uma membrana que envolve o cérebro e a medula espinhal. Segundo Simone, ela é uma doença muito perigosa principalmente para bebês e crianças e tem como porta de entrada as infecções respiratórias. A meningite pode ser viral, que é mais branda ou bacteriana.
Um dos cuidados essenciais nessa época para evitar o contágio é manter os ambientes arejados. Segundo a doutora, a proliferação de vírus e bactérias também é maior nessa época porque as pessoas tendem a permanecer em locais fechados, sem ventilação, facilitando o contágio dos vírus e bactérias em pessoas com o sistema respiratório já debilitado, através de gotículas de saliva, secreções nasais e vindas de pessoas infectadas. “Também o fato do acúmulo de pessoas em locais fechados dificulta o controle dessas doenças em um mesmo ambiente”, ressalta Simone.
Para evitar o contágio, os cuidados indicados pela doutora são básicos como “lavar as mãos frequentemente, principal-mente após contato com pessoas doentes, evitar locais onde haja muitas pessoas juntas sem ventilação adequada, vacinação contra meningite, e contra gripe que diminui em setenta por cento as infecções, mantendo os sintomas mais brandos, hidratação adequada, limpeza das secreções nasais, detecção e tratamento precoce das afecções mais comuns no inverno. Auxílio médico para diagnóstico de situações graves,onde haja necessidade de internação hospitalar ou não, e orientação da medicação adequada”, aponta.
Entre as pessoas que mais sofrem com as doenças dessa época estão as crianças e idosos. “Até os quatro anos de idade, a média é que a criança tenha dez resfriados ao ano, no adulto entre um e dois, e na terceira idade esse número volta a aumentar, tal como condições subjacentes aumentam na terceira idade tornando as infecções mais graves nessa idade”, comenta.
Nessa época também os casos de automedicação aumentam consideravelmente. “Os remédios podem agravar doenças, mascarar sintomas, ter efeitos colaterais danosos, adiar ou dificultar o diagnóstico correto de uma situação grave levando situações inicialmente totalmente controláveis até a morte do indivíduo inicialmente curável. Além do que certas situações como gravidez (na gripe suína), diabetes, hipertensão arterial sistêmica, podem contra indicar o uso de certas medicações ou interagir com as medicações normalmente utilizadas para o tratamento provocando piora do quadro clínico” alerta Simone.
TEXTO E FOTOS: CÍNTIA SYNDERSKI, DA REDAÇÃO

Ed. 475 01/072009