A qualidade de vida também acontece quando os idosos se sentem amados, úteis e respeitados no ambiente onde vivem
Centro Sul - A tristeza é um sentimento inerente à condição humana, que faz parte do cotidiano das pessoas, principalmente diante de uma derrota ou impossibilidade. Na terceira idade, é perceptÃvel que o número de perdas aumenta. As modificações nas relações afetivas, como o falecimento de amigos e do companheiro, a consciência da aproximação do fim da vida, a suspensão da atividade profissional, a dificuldade econômica e o declÃnio no prestÃgio social são alguns acontecimentos que provocam mudanças psicológicas no idoso.
De acordo com a professora de Psicologia da Unicentro e coordenadora da Uati, Claudia Regina Magnabosco Martins, a ocorrência desses fatores não significa que o idoso precise estar sempre abatido ou isolado. “A propensão de solidão e tristeza pode ser maior, mas depende muito de como cada um vai mudando a sua vida, conforme as situações mudam tambémâ€, diz. Neste ponto, as personalidades influenciam como vai ser encarada essa fase da vida, sendo que se alguém já gostava mais de ficar entre muitas pessoas, tende a ter mais facilidade de se envolver em grupos e atividades.
A construção social vigente a respeito da velhice a observa com mais caracterÃsticas negativas do que positivas. Segundo a professora, não procede a afirmação de que é necessário sempre estar com alguém para se alcançar o bem estar e de que a solidão é uma negação da alegria. Mesmo assim, é comum o envelhecimento produzir sensações de desconforto, ansiedade e até medo.
“Isso tem mudado a cada ano, tem evoluÃdo, também porque os idosos estão atuando mais na sociedade, batalhando por seus direitos e obtido oportunidadesâ€, conta Claudia. No que se refere à efetivação dos direitos e conquista de espaço, as condições atuais são consideradas boas para a terceira idade. “É possÃvel escolher e não mais viver só com os restos sociais que eram dados a eles, embora não tenhamos atingido 100% aindaâ€.
Atitudes da famÃlia
Em alguns casos, a pessoa não sabe como agir nos momentos de solidão, acreditando que está abandonada. Um sentimento de, mesmo estando entre outros, se sentir sozinha. Nesses casos, quem convive com o idoso possui um papel importante. “As famÃlias tendem a retirar coisas deles: atividades domésticas, o ato de fazer compras, de ir ao banco tirar o seu dinheiro, de ter responsabilidadesâ€, diz Claudia. A professora explica que quando a famÃlia age dessa maneira, prejudica a vivência dos idosos, muitas vezes acreditando que está auxiliando. “Eles podem estar mais lentos, com problemas de saúde, ou não, mas de qualquer forma precisam manter o ritmo de vida o mais aproximado possÃvel de como era antes. É necessário permitir que eles continuem a fazer as tarefas diárias, aquilo que eles gostamâ€.
Dessa forma, o idoso necessita perceber que é membro ativo da famÃlia. Participar das decisões, colaborar no que puder, a fim de que se sinta importante e respeitado onde vive. “Quando isso não acontece, parece que se está tratando a pessoa como alguém que não pensa mais, que não sente, que não tem mais vontades e gostos e, de fato, ela temâ€, enfatiza Claudia.
Assim como a infância, a adolescência e a idade adulta, a velhice também apresenta limitações e possibilidades. Por isso, uma importante dica para não deixar a tristeza dominar as rédeas nessa fase da vida é estar em contato com amigos e colegas e se envolver em atividades que proporcionem prazer. “Ao ficar reclusa, a pessoa continua com a sua ideia de vida. Quando vê os outros vivendo também, consegue comparar e fazer uma avaliação legalâ€, comenta. Outro ponto importante é realizar atividades fÃsicas e mentais. “É preciso movimentar o corpo e também trabalhar a mente, a memória, para não enrijecer o cérebroâ€, afirma a professora.
Serviço
Como o ressaltado por Claudia, a participação em grupos de convivência é uma recomendação para melhorar a qualidade de vida na terceira idade. Esses grupos podem ser de voluntariado, trabalhos manuais, jogos, pescarias, estudos... O que importa é que sejam desenvolvidas atividades que os idosos gostem. Em Irati, uma possibilidade está na Universidade Aberta para a Terceira Idade (Uati), que vai iniciar as inscrições para o próximo ano a partir do dia 20 de fevereiro, na secretaria da Uati, no campus da Universidade Estadual do Centro-Oeste. Os interessados devem comparecer nos perÃodos da manhã e tarde, portando seus documentos pessoais básicos. Em 2010, serão realizadas oficinas que envolvem academia, esportes adaptados e recreação, artesanato, práticas musicais, teatro, dança e expressão corporal, memória e linguagem, psicologia, leituras, poesias entre outros. As aulas acontecem nas terças e quintas-feiras, na Unicentro. Outras informações podem ser obtidas pelo telefone 3421-3070 ou 3421-3077.
TEXTO E FOTOS: SCHEYLA HORST, DA REDAÇÃO.
Ed. 501 30/12/2009





