O Engenheiro Chefe do Décimo Quinto Distrito Rodoviário era o Amilton Ambrósio Ribeiro, foi trazido pra cá pelo diretor do DER/PR engenheiro Plínio Pessôa. Naquele tempo a BR 277, trecho Irati/Curitiba, era muito mais palanque eleitoral do que um projeto a ser viabilizado. Quem viveu o tempo sabe do que estou falando, e o desaguadouro natural das queixas era o Amilton. Isso durou bastante tempo. Certa vez, o Amilton já andava meio sem ter como justificar uma situação da qual não tinha meios pra resolver, atacou (ou se defendeu): “olha, eu acho que vocês deveriam fazer como fazem aquelas cidades do Norte do Estado quando existe alguma coisa pra ser feita e que dependa do governo. Formem uma caravana, peçam audiência, acampem na frente do Palácio Iguaçu e se façam ser atendidos”. Se foi a solução não sei, mas a estrada acabou saindo. Deste inicio, anote-se aqui a observação que a sugestão do Amilton era verdadeira, o pessoal do Norte nunca deixou barato, sempre foi pra cima e conseguiu o que queria. Que inveja!
Anos mais tarde um canadense, Bill Diachuk, explicou pra quem quisesse ouvir – tem gente que se preocupa muito mais em saber quantas lâmpadas “alumiam” a Câmara dos Comuns, do que uma aula sobre o sistema político vigente – que as cidades do Canadá só discutem política em época de eleição, no resto do tempo a comunidade se abraça para resolver das cidades, por isso a coisa funciona. “Aqui é diferente do Brasil onde vocês discutem política antes, durante e depois das eleições. Assim não funciona”. Desta parte, anote-se o trecho final.
Os americanos – eles têm várias regras básicas – mas desta jorra luz: “No pain, no gain”. Em versão livre, sem trabalho duro não há grana. O pessoal da aviação não deixou a bola cair e bateu de primeira: “No plane no gain”. E é verdade! Qualquer cidadezinha americana ou canadense tem lá sua pistinha asfaltada pra suprir as necessidades básicas. É tempo pra se calcular em bastante dinheiro a movimentação de executivos, mas a quem interessa isso? Lembro que quando Irati entrou na briga para atrair as empresas que viriam acompanhar as montadoras de automóveis, era apresentado um “check list” sobre as facilidades de transporte/acesso da cidade. Em primeiro lugar, queriam saber se a cidade tinha aeroporto. A resposta era não. Mas explicava-se a situação – que seria construído um em pouco tempo – e a justificativa era aceita. E foi nessa que eu dancei – duplamente! Mas no momento a minha “dançada” não é importante. Importante, mesmo, é que em 1957, quando se festejou o os cinqüenta anos do município, tínhamos uma pista de pouso que era a terceira em extensão do Estado, só perdendo para Curitiba e Londrina. Mas aeroporto, aeródromo ou uma simples pistazinha pra suprir as necessidades básicas é coisa de troglodita, né?
Pode ser, mas eu só gostaria, se é que o tema possa ser considerado, que o que se escreveu aqui, como o título indica, é só o prefácio. Existem fatos estranhos no decorrer de uma história que já dura 12 anos – desde que a área que abrigava o nosso “campo de aviação” foi cedido, de boa vontade, diga-se, pelo Aero Clube de Irati à Prefeitura Municipal - pra que lá se instalasse o “distrito industrial”, aceitando-se o compromisso, da própria prefeitura, de que em seis meses uma nova instalação, em condições melhores, seria devolvida ao clube. Não se cumpriu. E esperar cansa.
Ed. 490 14/10/2009





