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Poder e Autoridade

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O poder é a forma mais contraditória da manifestação humana. Pelo poder somos capazes de tudo, fazemos e desfazemos, nos unimos e nos afastamos. E, como nos ensina Maquiavel, destruí­mos vidas em busca das glórias do poderio.
O Brasil nunca soube como lidar com as manifestaçíµes de poder. Desde o Império o poder esteve atrelado í  pessoas, o poder nunca foi compartilhado democraticamente. Então, dificilmente recordamos a corrente ideológica que deu poder aos poderosos, mas lembramos do nome deles e definimos o poder como atuação deste ou daquele indiví­duo. Por isso, os movimentos partidários pouco funcionam no Brasil, o foco não está no grupo mas na pessoa que assume um determinado cargo.
Somos imaturos em relação í  administração do poder. A influência da cristandade obrigou-nos ao silêncio, fez-nos submissos e omissos. Submissos aos poderosos instituí­dos por nossos feitos e omissos diante das açíµes dos mesmos. A moral cristã apresenta o silêncio como dom e a submissão como glória.
Com este processo, instaurou-se o poder autoritário, um poder de mando, onde o dono do cargo é intitulado de senhor. Este se cerca de capatazes e solicita que estes façam com que o povo obedeça cegamente suas ordens. Entretanto, o capataz tem um poderio limitado pelo poder do senhor, um passo a mais e este é decapitado. Bobo o capataz que enfrenta o seu senhor.
Este modelo de poder autoritário demonstra a imaturidade do povo, que anseia por reverenciar aquele que foi colocado acima. Assim, durante o Império, o imperador era reverenciado como um semi-deus; durante a República Rudimentar os Presidentes eram ovacionados. Depois, veio-nos uma ditadura militar, e tivemos nossos direitos tolhidos, fomos calados e os militares recebiam as glorias do povo estulto.
Hoje, damos os primeiros passos de uma democracia, mas continuamos acorrentados í  moral do silêncio, presos ao medo e obedientes aos desmandos do poder. Pois, mesmo o tempo tendo passado, ainda somos tietes do poder.
O que não percebemos é que pagamos o preço por nossa tietagem. Enquanto silenciamos e parabenizamos os feitos do poder, perdemos a noção de que somos nós que conferimos o poder, que somos os responsáveis pela manutenção dos poderosos. Eles, não ignorantes de sua condição, sabem que dependem de nosso aval. Entretanto, nós somos ignorantes de nosso estado e somos incapazes de promover um controle social com qualidade.

Capa desta Edição
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