Tinha um forno de pedra, enorme, no canto da cerca que dividia o terrero das galinha ca parte do lote aonde era plantada as verduras. AÃ, tinha, também, um pomar dinchê o zóio de tão lindo, cas amexera, perera; uma pitanguera que parecia cutucá as nuvem de tão alta. Um pequeno parrerá cas uva tercà i bregerá i uns pesseguêro que quando florido dava a impressão quéra coisa de quadro pintado. Assim, pensados, tinha uns pé de hortênsia de cor diferentes que formava um tipo dinfeite i lembrava um labirinto. Os caqui café duma doçura que nem carecia de açúca quando iam pro doce. Dotro lado do pomar, junto do portão que dava pras verdura, tava a casinha, que nos olhar de saudade, o inevitável encontro ca lembrança do tempo que se era criança i do agregado bigodudo que insistÃa em chamá a casinha de cagatório. Era o certo, dizia ele, cum orgulho de ter iscolhido o lugar i de ter construÃdo dois sentador. Um de criança e um de gente grande. Nossa! Como aquilo era chique. Nunca tinha visto daquilo, principalmente daquele jeito lustrado cum vermelhão que se misturava na cêra. Mais além, depois da cerca, o pasto i o paió que ficava o moedor de milho. Quantas veiz de nóis durmi alÃ, no meio das paia. I quantas veiz dos mandorová passá intudasparte sem ca gente sincomodásse. Nada cuma boa salmora cum arruda i catinga de mulata não resolva. I resolvia! I fico lembrando dessas coisa i já não vejo mais nada a não ser ser essa plantação qué linda, claro, mais cadê as coisa que fizeram parte do passado? Cadê o fôrno? Cadê as flor dos pesseguêro? Cadê as mandioca? Cadê o buraco da raposa? Cadê o cavalo que vinha comê mio na mão? Cadê os canário terra que nem sincomodava mais cas nossa presença? Cadê os beja-flor? Cadê as curruÃra quesincomodavam ca nossa presença? Cadê o caminho da bica? Cadê a bica? Cadê as história de fantasma? Cadê os fantasma? Cadê? Cadê? Cadê? Cadê? Cadê? Cadê? Ca...
- Alô quem qué o disgraçado que me acordô antis das resposta?
- Bom dia amiga! Bom dia irmã! Basta uma sorriso e coma esse romã lará lará lará lará...
- Seu Robis? Só pudia ser! Faiz uma cara que não dá notÃcia i quando resolve é pra atrapaiá o sonho dos otros?
- Bom dia amiga! Bom dia irmã! Basta um sorriso e coma esse...
- Coma teu nariz, seu traia. Tinha que interrompê o mais bucólico dois sonho?
- Bucólico? Chique a senhora, hein? Até parece que...
- Até parece cocê não tem semancol mesmo. Até parece, não: cê não tem semancol mesmo! De certo pensa que só você que de veiz inquando pode falá alguma palavra mais complicada. Como no caso da ademais. Cada veiz queu uso, tenho que fazê menção. Mais co bucólico não vai carecê. Mais diga duma vêiz o que que tá querendo. I cuntanto que não seje pra vim tomá café, i já que atrapaiô o sono mesmo, disimbucha logo.
- Nada! Absolutamente nada! A não ser a saudade e o desejo de ouvir uma velha e querida amiga. Já que, de fato, as coisas, no ritmo que estão, acabam por nos afastar, às vezes. E tenha certeza, minha linda, que se eu soubesse que estavas assim, num sonho bucólico que tanto lhe aprazia, jamais a teria acordado. Ao contrário, desejaria mesmo estar te olhando para ver a cara de felicidade pelas paisagens que se vinham. Ademais, e isso é quase uma identificação nossa, sonhar bucólico é um privilégio entre tantas imagens ruins que nos são atiradas à cara, espatifando as tristes realidades que estão acontecendo pelo mundo. Pelo mundo de lá e pelo mundo de cá, entende?
- r r r r r r r r r r r r r r r r r r r r r... s s s s s s s s s s s s s s s s
- Dona Merislawa?
- r r r r r r r r r r r r r r r r r r r r r... s s s s s s s s s s s s s s s s
- Coitadinha... Dormiu de novo! Deixe que durma, que sonhe, que ronque.
- r r r r r r r r r r r r r r r r r r r r r... s s s s s s s s s s s s s s s s Tadinho. Acreditô queu durmia. Mais assim, de cedo já ter queuvà essas babosera? Ninguém merece! Dia desses eu faço uma polenta cum frango i me redimo cum ele. Ops!!
Ed. 503 27/01/2010





