

Irati - O Conselho da Comunidade de Irati, o Programa Pró-Egresso, a 41ª Delegacia de Polícia Civil, a UNICENTRO e a Coordenação da Divisão de Extensão Comunitária (DIEX/I) entregaram na última quinta (16) os prêmios do I Concurso de Literatura Carcerária do Projeto Varal de Poesias.
Dez poesias escritas por detentos da Delegacia concorreram e cinco foram selecionadas por uma comissão julgadora composta de representantes das entidades envolvidas na organização do projeto. Os cinco primeiros colocados receberam brindes arrecadados pelos organizadores entre o comércio local e do 6º ao 9º lugar todos foram contemplados com prêmios pela participação na iniciativa. Conforme o regulamento, a proposta é estimular a criação literária entre os detentos, valorizar e divulgar os talentos, bem como fortalecer a integração entre universidade e comunidade.
O professor Nelson Susko, encarregado da Seção de Promoção Cultural da UNICENTRO, frisa que o projeto ainda busca incentivar a fruição artística e mostrar que a arte pode estar presente em todos os lugares, inclusive nas cadeias. “A poesia foi escolhida por desenvolver a expressão escrita e por colaborar na expressão da sensibilidade”, reforça. O concurso serviu ainda para divulgar à comunidade a existência do projeto, além de funcionar como tentativa de resgate da dignidade dos presos e mediar sua reinserção nas suas famílias e na sociedade.
Desde o ano passado, alunas do curso de Pedagogia e estagiárias do Pró-Egresso desenvolvem um projeto de estímulo à leitura e à escrita dentro do presídio. Em todas as visitas, elas levam livros para os detentos e auxiliam nos casos em que há dificuldades de leitura e incentivam o exercício da escrita entre os presos. A presidente do Conselho da Comunidade, Mery Francisca Keller, salienta que a entidade tem buscado montar uma biblioteca para os detentos na própria cadeia, o que só não é possível ainda devido à falta de espaço físico adequado no prédio da delegacia, inaugurada na década de 1950. Mesmo sem um lugar próprio para a biblioteca, doações de livros são bem-vindas, reforça a presidente.
Para a inscrição, cada detento deveria elaborar uma poesia inédita de temática livre, podendo concorrer com até três poesias diferentes com no máximo duas páginas cada uma. O cotidiano dos detidos prevaleceu como tema das poesias. Vinte envelopes foram entregues na carceragem para que os presos depositassem suas obras, juntamente com a ficha de inscrição, que deveria conter os dados pessoais e o pseudônimo do autor. As poesias deveriam conter título e apenas o pseudônimo do autor, para evitar a identificação e garantir a inexistência de favoritismo por parte da comissão julgadora, cujos nomes também permaneceram no anonimato.
As dez obras inscritas foram entregues à DIEX/I em envelopes lacrados em agosto e encaminhadas aos jurados, que avaliaram os textos segundo critérios do regulamento que priorizavam o conteúdo e a forma. Gravuras também poderiam acompanhar as poesias, mas não fariam parte da avaliação. Todas as obras inscritas ficaram expostas durante o mês de agosto na Sala de Exposição Luiza Nelma Fillus, no Campus de Irati, em forma de varal (daí o nome do projeto).
TEXTO E FOTOS: EDILSON KERNICKI, DA REDAÇÃO.