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Não é de graça – e nem de hoje - que se costuma chamar a imprensa de “quarto poder†claro que, no caso, atrelando-a a política. Mas no dia-a-dia, dependendo da forma como ela é usada, seu peso especifico é alto; e ela cria e destrói com a mesma rapidez e facilidade. Não é a toa, também, que políticos amam ter entre seus bens de consumo mais próximos estações de rádio, redes de televisão e/ou jornais, no que são seguidos de perto por credos e igrejas dos mais diversos matizes. As estratégias usadas pelos veículos para levantar o perfil de seu – futuro – público alvo são obras que, não raro, me deixam morto de inveja e, com mais freqüência, quase morro de raiva pelo menosprezo com que nos tratam. Só pra dar uma idéia: dia desses vi a chamada para uma matéria com o Bernardo Rezende, o do vôlei, que me propus a ver e cumpri a minha palavra. Senti a vaca indo pro brejo já no começo da matéria. Um cenário bem cuidado, e uma mesa posta pra uma refeição qualquer, só que, ao canto da mesa, brilhavam aos olhos da câmera, três pacotes de um suco de frutas que está sendo lançado no mercado. O nome disso é “merchandisingâ€. A estratégia se divide em dois tipos: o “merchandising†direto, que é quando alguém aparece – numa novela por ex. – com uma embalagem de um produto qualquer e tenta induzir o seu uso citando suas qualidades e, o indireto, o caso do suco, onde a referência é “só†a presença do produto e seu tempo de exposição. Temos mestres nessa área. Não sei quanto custa – não tenho a menor idéia mesmo – dos valores da cobertura anual das provas de F1, mas deve ser muita grana. A Globo, como sabemos, é a detentora da exclusividade das transmissões há muito tempo. A opinião é pessoal e acho que com exceção do locutor oficial das provas, o trabalho é irreprimível. As coberturas pré e pós corridas esmeram-se em detalhes, vide o caso Nelsinho Piquet, que nos fazem clientes dos eventos. Mas tem o outro lado. Claro que ninguém patrocina uma temporada de F1 só por que gosta do esporte; paga por que tem que anunciar e vender um produto, e a audiência é auditada, tem que haver retorno. É aí (e não só aí) que entra a máquina de moer carne tem-se que sustentar a audiência, logo criar interesse; logo, criar heróis e aí vale tudo. Lembrei disso no inicio da transmissão da última corrida da temporada, quando se anunciou a presença de Bruno Senna, na Campos, uma equipe nova, na temporada do próximo ano. Armou-se o circo num belo trabalho de edição que fundia imagens do tio, Ayrton, com o sobrinho. A mesma coisa que se fez com o Rubens, quando do acidente de Senna, na Itália. O nome disso é estratégia de marketing. A mesma coisa que já havia sido feita quando da ida de Piquet Filho para a categoria, não tinha mais volta. Seria tudo maravilhoso se tudo corresse como prevê o roteiro do interessado direto, o detentor da exclusividade da transmissão. Mas não é assim. No caso de Rubens Barrichello, projetaram nele a figura do substituto de Ayrton, e não se precisa de bola de cristal pra saber que não daria certo. Agora repetem a ação com o sobrinho.
Eu, honestamente, gostaria que ele conseguisse desenvolver 60% da capacidade do tio, já seria o suficiente pra brigar de perto com 90% desse povo que toca carro de F1. Não estou a dizer que são maus pilotos, só que Ayrton era infinitamente melhor.

Ed. 494 11/11/2009

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