

Entre o início da pesquisa e a finalização do processo de edição da obra que comemora o centenário de Irati, foram quase dois anos de trabalho
Irati – Foi lançado, neste sábado (20), o livro “Irati: 100 anos”, que descreve traços historiográficos e narra fatos de notoriedade na trajetória de nosso município.
A obra, escrita por Audrey Farah, Chico Guil e Silvio Philippi, numa parceria da Editora Arte com a Prefeitura e o patrocínio de mais de 70 entidades e empresas, é resultado de um projeto iniciado em janeiro de 2007, e finalizado somente agora, para marcar o centenário da cidade de Irati.
Estavam presentes ao evento, ocorrido no Clube Polonês, o prefeito Sergio Stoklos, acompanhado da primeira-dama e presidente da Provopar, Maria Helena Stoklos; a vice, Marisa Lucas; o deputado estadual Felipe Lucas; secretários da prefeitura; vereadores; o diretor do Campus da Unicentro em Irati, Mario Umberto Menon e diversas personalidades ilustres que contribuíram na confecção do livro.
Foram homenageados três importantes nomes que colaboraram na coleta e esclarecimento de dados de relevância histórica para a edição do livro. O primeiro deles é o artista plástico, cronista e pesquisador José Maria Grácia Araújo, que confessou ter inicialmente se sentido constrangido em saber que não seriam iratienses que escreveriam a obra do centenário da cidade e que depois mudou de idéia ao conhecer melhor os autores. “A história não tem fronteiras: talvez não importante tanto quem a escreve, mas sim aqueles que a fizeram, aqueles que receberam essa história e a transmitiram para que esse livro pudesse ser editado e coroasse com chave de ouro o nosso centenário”, ressalta Araújo.
Também recebeu homenagens dos autores a colaboradora Lenita Ruva, uma das principais responsáveis pela implantação do Núcleo Regional de Educação no município, tendo sido sua primeira chefe. Lenita definiu História como algo “tão profundo, tão lindo, porque é muito mais do que simplesmente reunir aspectos e narrar fatos. É a reconstrução da vida, da arte e do poder de um povo. E se tratando de 100 anos de Irati, não é um povo qualquer: é nosso povo, é nossa gente”. Ela ainda enfatizou a responsabilidade dos três autores de reunir o relato de tantas pessoas. “E tudo é importante quando é nosso. Do tanto que eu pude acompanhar, eu senti responsabilidade, seriedade e integridade com as pessoas que conduziram essa terra, que é a terra de muito imigrantes que nos diziam que isso nós deveríamos todas as manhãs abraçar e beijar este solo e este povo”, frisa.
Um dos autores, Silvio José Philippi, nascido em São José (SC), foi diretor de várias empresas do Paraná e também atuou como empresário no ramo de laticínios e trabalhou na captação de recursos para a produção do livro, além da coleta de dados e registro do histórico do centenário. Em sua oportunidade de pronunciar, ele sucinta-mente agradeceu a todos.
O segundo entre os autores, Chico Guil, nascido na comunidade de Queimadas, no município de Prudentópolis (PR), já venceu diversos concursos literários estaduais e nacionais, na categoria de conto e poesia. Ao lado de Audrey Farah, fundou a Editora Arte, no ano 2000. Em 2006, lançaram o livro “Prudentópolis: 100 anos”, que ensejou a produção de obra similar em Irati. Guil agradeceu aos pais, que estavam presentes na ocasião: a mãe, que o ensinou a ler e escrever, e o pai, que o “ensinou a viajar pelas estrelas, a imaginar que existiam outros mundos”. Guil disse estar, desde então, à procura desses outros mundos. O autor destacou que, ao longo da pesquisa, foram detectados vários erros nos dados oficiais, já consagrados como fatos e caracterizou a obra como apenas um breve relato da história da cidade. “A história de Irati é tão densa, tão fantástica, tão incrível, que daria para fazer uns dez livros desse ou mais”, declarou.
Finalmente, a escritora Audrey Farah, nascida em Ibaiti (PR) e que atua há 15 anos na área da comunicação, deu seu pronuncia-mento, em que relatou o desejo, enquanto escreviam a obra dos 100 anos de Prudentópolis, de fazer obra semelhante, senão melhor, para marcar o centenário de Irati. Como os dois municípios têm colonização e origens semelhantes, despertou o interesse dos autores para relatar toda a trajetória vivida desde o final do século XIX até o início do século XXI. “Cada cidade, embora com colonização e origens semelhantes, são como irmãos, que do mesmo pai e mãe, ao crescer e desenvolver-se, tornam-se tão peculiares e essencialmente únicos”, enfatizou.
Audrey declarou que, em janeiro de 2007, iniciaram-se as pesquisas e a captação de recursos para a produção do livro sobre o centenário de Irati. Ao longo de quase 24 meses, pois o livro ficou pronto apenas no final de 2008, dezenas de pessoas foram entrevistadas e inúmeras publicações foram esmiuçadas em busca de informações para a elaboração do histórico oficial do município. Audrey relatou que os pesquisadores estiveram à caça de fatos pitorescos, que fugissem do oficialismo. “Misturar todos esses elementos, que envolvem cultura, política, economia, arte, esporte e religião foi o que fizeram os autores”, comentou. Também agradeceu aos colaboradores, que dispuseram de seu tempo, suas informações, boa vontade e recursos financeiros para a concretização do livro, que foi caracterizado por ela como “um grande presente, que passa a fazer parte do acervo cultural do município”.
Luis Antonio Fornazari Bini recebeu homenagem dos autores, em nome do avô, o médico e escritor, recentemente falecido, Lourival Luiz Fornazari, que ofereceu aos pesquisadores seu conhecimento, suas lembranças e seu entusiasmo. Também foi homenageado João Wasilewski, cujo filho, Julio Wasilewski, estaria recebendo a homenagem em seu nome. João Wasilewski era dono da Panificadora Irati e construiu uma das primeiras salas de cinema da cidade. O terceiro homenageado foi o poeta Virgílio Moreira. Em seu nome, recebeu a homenagem seu filho, o secretário de Indústria, do Comércio e Assuntos do Mercosul, Virgílio Moreira Filho.
Cada uma das mais de 70 entidades, famílias e empresas que patrocinaram o projeto receberam um exemplar do livro, de 220 páginas e padrão gráfico e editorial ainda mais apurado que o livro do centenário de Prudentópolis, conforme os autores.
O prefeito Sergio Stoklos agradeceu aos autores pela iniciativa. Stoklos afirmou que, mesmo vindos de fora, os escritores podem considerar-se iratienses de fato, pois vieram para fazer a diferença. “Com um olhar de fora, vocês viram o que a gente não via, pela própria proximidade que temos com os fatos e com os objetos. Estes mesmos objetos que vemos cotidianamente e historicamente foram vistos com outro olhar”, afirma. O prefeito fez uma analogia à observação histórica da cidade pelos autores como a visão de uma mulher nua: “de longe, é artístico; de perto, é erótico; mais perto ainda, é biológico. Vocês deram todas essas diferenças às visões de Irati”, elogiou.
Durante a sessão de autógrafos, foi servido um coquetel para os convidados. Os livros estavam disponíveis à venda, na hora, ao preço de R$ 100. A partir do domingo (21), já estaria disponível em vários pontos de venda, com outro preço.
TEXTO E FOTOS: EDILSON KERNICKI, DA REDAÇÃO