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Em 2009, 22% dos acidentes no trânsito de Irati envolveram motocicletas

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A frota de motocicletas e motonetas no município também aumentou, junto com o descuido dos pilotos

Irati - Em dezembro de 2007, Irati possuía o registro de 3088 motocicletas, segundo informações do Departamento Nacional de Trânsito (Detran). No fim de 2009, o número era de 4004. Esse aumento de 916 unidades é perceptível em outros dados: os dos acidentes envolvendo motociclistas no município.
Entre janeiro e dezembro do ano passado, 134 acidentes com motocicletas ou motonetas foram registrados pela Polícia Militar de Irati. O Sargento Ledovino Machado Júnior, do Departamento de Trânsito da PM, ressalta que as principais causas destas ocorrências estavam na falta de bom senso e de educação no trânsito por parte dos pilotos.
“Os motociclistas cometem muitas infrações de trânsito, ultrapassam pela direita nos semáforos... Muitos casos são de desrespeito à sinalização. O mínimo necessário de sinalização existe, lógico que tem problemas viários em Irati, mas o respeito à sinalização existente é indispensável”, pondera. E completa: “A moto é difícil de visualizar no trânsito, por ser pequena e muitas vezes os condutores não ajudam, vêm rápido demais e assim acontecem os acidentes”.
Esta situação se repete em âmbito estadual: em 2008, 38% dos acidentes no Paraná tiveram motocicletas como protagonistas. Encontrar pessoas que passaram por situações perigosas sobre duas rodas não é difícil.
“O que eu percebo é que muitas pessoas compram a moto primeiro para depois se capacitar”, diz o Sargento Júnior. Essa afirmação é confirmada por profissionais de centros de formação de condutores, que dizem ser comum a existência de alunos que já possuem motos quando iniciam as aulas. O resultado é a dificuldade de “tirar vícios” conseguidos na prática desregrada. De acordo com informações da Ciretran do município, muitas das infrações dizem respeito à falta de atenção ou de uma formação correta, como o uso da viseira do capacete levantada nos dias de calor, o que é proibido.
Adquirir uma motocicleta se tornou um processo fácil nos últimos anos. O veículo de duas rodas é popular devido ao seu caráter econômico, prático e também acessível. As revendedoras ofertam oportunidades que se direcionam aos mais diversos bolsos, com pagamentos divididos em parcelas a perder de vista e de baixo valor, como por exemplo, em 48x de R$100,00. O acesso facilitado é um dos problemas, uma vez que para comprar basta ter crédito. Em muitos casos, não é exigida documentação que comprove a maioridade, tampouco a carteira de habilitação.
O perigo está na exposição excessiva do condutor. Na maioria das vezes, por estar em condição inferior de proteção, o piloto acaba com graves machucaduras, que deixam sequelas que podem ser irreversíveis. Muitos proprietários de motocicletas se assustam no momento de quitar o seguro obrigatório Dpvat (Danos Pessoais Causados por Veículos Automotores de Via Terrestre) do veículo, que tem um valor consideravelmente alto. Isso porque é quase certo que alguém que se envolva em um acidente vai precisar do amparo hospitalar, e para tal utilizará esta indenização, que também é disponibilizada em caso de morte, invalidez total ou parcial e varia de R$ 2.700,00 a R$ 13.500,00.

A formação
Em 2008, a resolução 285/08 do Conselho de Trânsito (Contran), que trata dos cursos para habilitação de condutores de veículos automotores, chamou a atenção ao, entre outras medidas, acrescentar as aulas práticas de moto em via pública. O item causou polêmica, principalmente entre os instrutores. Muitos acreditam que esse fator vai aumentar a periculosidade do trânsito local e colocar em risco a vida tanto do aluno quanto do instrutor. O documento do Contran indica que “a monitoração da prática de pilotagem de motocicleta em via pública poderá ser executada pelo instrutor em outro veículo”. Mesmo assim, a questão não entrou em prática.
Edelsio José Castagnoli é instrutor teórico de um Centro de Formação de Condutores em Irati. Ele conta que falta a muitos dos alunos atenção e interesse em se educar para o trânsito, dessa forma, sobra ao instrutor apenas o papel de suporte técnico. Edelsio acredita que o modelo atual de aulas práticas para motocicleta é muito previsível. “O aluno treina vários dias na pista que vai encontrar no dia do teste. Mas na hora de enfrentar o trânsito, vai sentir a diferença”. Ao que tudo indica, pilotar a moto na pista fechada, com base nos conceitos básicos como equilíbrio, arrancada, frenagem e manobras, não garantem as habilidades necessárias para a condução nas ruas movimentadas da cidade. Neste sentido está um dos fatores que influenciam no alto índice de acidentes, junto com a imprudência: a imperícia, ou seja, a inexperiência.
No entanto, mesmo se posicionando a favor da resolução do Contran, tanto Edelsio quanto o Sargento Júnior chamam a atenção para a viabilidade dessa proposta. É visível a necessidade de traçar um planejamento lógico para que a formação seja aperfeiçoada, mas sem colocar em perigo os envolvidos no processo. “É complicado inserir uma pessoa ainda inexperiente já na prática do trânsito”, acredita o Sargento. “O trânsito é um conjunto formado por vários elementos: motoristas de automóveis, motocicletas, caminhões; pelos pedestres; pelos ciclistas... O que eu percebo é que um não respeita o outro. Dessa forma fica difícil pensar na formação de motociclistas em vias públicas”, completa Edelsio.

Motocicleta na mira
Em discussão na Câmara dos Deputados, um substitutivo do projeto de lei 2.872/2008 trata de algumas questões referentes ao uso de motocicletas e motonetas. O substitutivo foi proposto pela deputada federal Rita Camata (PMDB-ES) e quer revisar regras do Código de Trânsito Brasileiro. Entre as alterações propostas, três são direcionadas aos motociclistas:
-Exigência de placa dianteira;
-Proibição de transitar entre veículos, o que será considerado infração gravíssima.
-Aumento da idade mínima do passageiro, de 7 para 10 anos.

TEXTO: SCHEYLA HORST, DA REDAÇÃO.
FOTOS: SCHEYLA HORST E ARQUIVO.

Ed. 507 24/02/2010

Capa desta Edição
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