

Um dos jogadores de futebol que soube representar o Estado do Paraná, visita Irati e conta sua história
Irati - Quem acompanhou o futebol alguns anos atrás, em especial no Estado do Paraná, já ouviu falar de José Fortunato de Campos Filho, o Tiganá, foi jogador profissional, inclusive defendendo a Seleção Paranaense de Futebol.
Tiganá começou a gostar de jogar futebol quando criança, segundo ele, ia aos estádios, fazer locução, “adorava ficar narrando o jogo de futebol”, conta.
Em 1975, com 15 anos de idade passou a jogar no São Caetano. Profissionalizou-se aos 17 anos de idade. Começou no antigo Minas Futebol Clube (de Minas Gerais), atualmente, o clube está voltado especi-ficamente para o Tênis, chamando-se Minas Tênis Clube.
Em 1979, foi para a capital – Belo Horizonte, jogou para o Atlético Mineiro, Cruzeiro e América Mineiro. Retornou tempo depois para Minas Gerais, e jogou também no Fabril de Cavas, Sport de Juiz de Fora, 3 Pontas, Olímpico de Lavras e, em São Paulo no Pinhalense e Guarani de Campinas. No Mato Grosso, atuou no São José do Rio Claro, Nova Andradina e Ubiratã. No Rio Grande do Sul atuou no Brasil de Pelotas.
No Paraná, atuou a partir de 1990, nas Equipes União Bandeirantes, 9 de Julho, Matsubara, Comercial, Cascavel, Irati, Assis Chateubriand, Arapongas e Foz do Iguaçu.
Tiganá foi um dos melhores jogadores de Irati, camisa 8, meia-direita, fez história no futebol paranaense, jogou ao lado de Valdecir, Tobi, Vavá, Marcos Gaúcho, Leoni, Silva, Mario, Celsinho, Paulo, Edson, Vladimir, Ageo, Cervilho, Castro entre outros.
Os principais títulos de Tiganá, enquanto jogador profissional de Futebol foram:
- Campeão Paranaense da 2º Divisão, 1988 (União Bandeirantes)
- Vice-Campeão Paranaense da 1ª Divisão, 1989 (União Bandeirantes)
- Campeão do 1º turno do Campeonato Paranaense, 1993 (Cascavel)
- Campeão no 2º semestre da Divisão Intermediária, 1993 ( Irati)
- Campeão do Grupo B Paranaense da 2º Divisão, 1994 (Irati)
- Campeão da 2ª Divisão Gaúcha, 1996 (Brasil de Pelotas)
- Vice campeão do Intermediário Paranaense, 1999 (Jaguariaiva)
Hoje, mora em Santa Teresinha de Itaipu, no Paraná, funcionário público, treinador técnico de uma escola de futebol para crianças e adultos relembra seus tempos de jogador.
“Quando comecei a jogar e fiquei conhecido, me tornei um cidadão. Vim de uma família simples, humilde, de um lugar difícil de viver no Rio de Janeiro. Lembro-me de uma pessoa que me ajudou muito no começo da carreira - seu apelido era Bibi, empresário, foi quem me deu força e investiu em mim”. Natural de São João Del Rei, Rio de Janeiro, sofreu preconceitos durante a carreira – “Meus pais me ajudaram muito com isso, me ensinaram a trabalhar, estudar. Ainda hoje, temos discriminação racial, se tem um negro parado na esquina, é bandido. Um cantor de Rap, é considerado maconheiro, traficante; as pessoas que vêem um negro dirigindo um carro importado, ou tem uma posição social melhor, por exemplo, já vão dizendo que ele roubou”. Fortunato explanou diversos casos de preconceitos contra negros e, disse em seguida: “Deus faz as coisas no seu tempo certo e, está ensinando as pessoas. Estou torcendo pelo presidente eleito nos Estados Unidos – Barack Obama – para que faça boas coisas, ele não precisa melhorar e nem piorar, que deixe do jeito que está. Porque o negro, ou faz na entrada, ou faz na saída. Infelizmente é assim”. Para ele, o Brasil ainda é um dos melhores países para se viver, pois é acolhedor – “Temos coisas erradas na nossa política, no nosso país, mas nos outros, também existe. Queremos a democracia, a liberdade”.
TEXTO: SILVIA COSTA, DA REDAÇÃO
