A rotina dos ourives é de dedicação ao singelo
Irati – Segundo definição, ourivesaria é a arte de trabalhar com metais preciosos, especificamente prata e ouro, na fabricação de jóias e ornamentos. É nessa área que o casal Osni e Sandra Golinski atuam diariamente, numa oficina conjugada à residência da família.
Osni começou como aprendiz de um parente mais velho em maio de 1988. Logo passou a se interessar mais pela profissão e fez cursos técnicos que complementaram a sua formação. A esposa, Sandra, o auxilia há nove anos. “Depois que tivemos nosso filho, fiquei mais em casa e percebi que ele precisava de ajuda, comecei e estou até hoje”, lembra.
Osni tinha 15 anos quando se inseriu na aprendizagem. “Comecei com os polimentos, aí os consertos, depois passei para as peças mais trabalhadas. Ninguém começa fazendo as peças complicadas. Demora um tempo para ter firmeza na mão e concentração”, conta. Embora não ache difícil encontrar pessoas dispostas a aprender o ofício, Osni acredita que muitos começam pensando que a profissão vai ser diferente do que realmente é e não conseguem evoluir no ramo. Acabam desistindo. “Quando estão no curso, muitos aprendem a fazer alianças e acham que o serviço é fácil, depois não conseguem continuar”.
Não é fácil imaginar todo o processo de produção por trás da beleza das peças de joalherias. “Nessa profissão, se é na indústria, um só recorta, outro só solda, outro faz o polimento, o último vai ser o cravador. Tem gente que trabalha 12 anos numa firma e não sabe fazer a peça inteira. Mas a maioria não aguenta ficar a vida inteira na indústria e acaba montando algum negócio próprio”. Osni e Sandra fazem o trabalho de cópia de jóias, consertos e cravação de pedras preciosas.
Ambos reforçam que a característica principal para um ourives é a paciência, embora Osni confesse que também é perfeccionista. O capricho na hora do arremate é fundamental. “Não dá para deixar a peça mal acabada”, diz Osni. Há os serviços rápidos e os exaustivos. “A aliança é a peça mais simples de se fazer, levo cerca de quatro a cinco horas para finalizar as simples, mas, dependendo dos detalhes que o cliente pediu, pode demorar dias”, conta.
O trabalho em oficinas assessora indústrias e estabelecimentos comerciais. Sandra e Osni produzem jóias a pedido de clientes e também fazem consertos para os fregueses e para algumas lojas de Irati. “Você me traz uma peça para eu fazer igual e faço a cópia, fica o mais parecido o possível, pode trazer uma imagem também que tento reproduzir”, fala Osni.
Ambos sabem que estão envolvidos num ofício que, embora de grande importância para momentos importantes, não é fundamental na vida das pessoas. “Acredito que o mais garantido é que sempre vai ter pedidos de alianças de casamento”, diz Sandra. “Os outros presentes as pessoas só dão quando estão com condições financeiras boas”. Mesmo assim, ficam satisfeitos quando observam a alegria dos clientes ao verem pronta a peça que solicitaram.
A rotina dos ourives é de dedicação ao singelo, uma busca de moldar o metal minuciosamente, até obter o melhor resultado possível. “A nossa propaganda é o boca a boca. Se uma pessoa mostra para a outra uma peça que fizemos e essa vê o acabamento e fica sabendo do valor, logo vem até nós”. Assim eles vão conseguindo uma freguesia fiel.
TEXTO E FOTOS: SCHEYLA HORST, DA REDAÇÃO.
ED. 507 24/02/2010
Os profissionais da Joalheria
Essas são as diferentes especializações do trabalho de Joalheria. Quando trabalham em oficinas, os ourives precisam saber algumas especialidades.
Ourives: Profissional que domina as técnicas de Joalheria. Ele executa peças que podem, ou não, ser de sua autoria.
Designer de Jóias: É aquele que cria a peça. São profissionais com pendores artísticos. Nem todos os designers conhecem os processos de manufatura da peça de Joalheria.
Autor de Jóias: É, resumidamente, a união do Ourives com o Designer de Jóias. É o profissional que cria e executa sua própria peça.
Modelista em Cera: Pessoa que trabalha especificamente com esse material. Ele modela a cera de forma a produzir uma peça de Joalheria.
Fundidor: Pessoa que manuseia os equipamentos da Fundição. É aquele que transforma peças de cera em peças de metal. O fundidor precisa conhecer profundamente seu equipamento, as temperaturas adequadas para os diversos materiais que manipula assim como os períodos de aquecimento.
Cravador: Profissional que se dedica à arte da cravação de pedras, é aquele que fixa as pedras sobre as peças de metal. Utiliza-se de ferramentas bastante específicas para essa atividade.
Gravador: É aquele que reproduz desenhos sobre o metal, os mais variados. Podem ser monogramas, silhuetas, figuras, brasões ou o que a imaginação do cliente pedir.
Gemólogo: Profissional que tem um profundo conhecimento sobre gemas. Ele pode assessorar o Lapidário, Cravador, Ourives, Galvanizador e todos os demais profissionais da Joalheria que trabalham com gemas.
Lapidário: É o profissional que se utiliza de equipamentos para modelar, lapidar, pedras brutas. É ele quem dá o brilho e fascínio às pedras que a natureza produz.
Técnico em Acabamento: Profissional que se dedica às etapas de acabamento das peças. Ele é o responsável pelo brilho final do metal.
Técnico em Galvanoplastia: É a pessoa que aplica finas camadas de metal sobre uma peça metálica. São os famosos “banhos”, de ouro, de ródio, de prata etc. A galvanoplastia vem após o polimento e perfeita limpeza da peça.
FONTE: JÓIAS E ARTES





