Paz sem voz não é paz, é medo. E é comum. Nas ruas, quando um cidadão, que paga tudo em dia e ainda trabalha do nascer ao pôr do sol, é questionado a respeito da sua opinião sobre alguma questão da cidade, quase sempre se amedronta e diz: “Eu prefiro não falar”. Mas, por que isso acontece? A univocidade muitas vezes toma conta das rodas de conversa. As denúncias se tornam anônimas e as estruturas não mudam. Tudo parece estar em paz. Mas a verdade é que há medo mascarado.
A organização social e a articulação de homens e mulheres em prol de um objetivo comum é o que pode gerar resultados, a história mostra. Por esse motivo, geralmente os movimentos sociais são criminalizados na grande mídia, taxados de baderneiros logo no princípio. Nadar na contramão da corrente pode ser difícil, mas é o que garante a salvação.
Em 2010, além de lutas e vitórias pessoais, o desejo é que o cidadão se descubra como tal. Observe que tem direitos, deveres e, sobretudo, a liberdade de se expressar e de se desenvolver como humano pensante e falante. É pela paz que não é possível seguir admitindo desmandos, injustiças, em silêncio. Mas para ser forte, é preciso união.
Associações de bairros, cooperativas e outras formas de organização são válidas. Um exemplo de como atitudes assim funcionam, está no sucesso delas em pequenos e grandes centros. Em Irati, no início de fevereiro, haverá uma Feira Solidária, onde diversas entidades vão promover dias de colaboração, onde a essência está no desenvolvimento sem violência à natureza e aos homens. Que esse ânimo se expanda para as lutas dos outros direitos sociais.
Paz não pode ser sinônimo de quietação, mas de consciência tranquila. Se muitas das formas simbólicas que circulam no cotidiano servem para manter uma relação de poder estabelecido, onde as chances são desiguais, é indispensável perceber quais são as intenções por detrás dos discursos e problematiza-los.
Isso através da paz, que também pode ser encarada como a não-violência, conceito traçado por Gandhi. A não-violência pode ser definida como uma série de conceitos sobre moralidade, poder e conflito que rejeita o uso da violência nos esforços para a conquista de objetivos sociais e políticos.
O indiano diferenciava dois tipos de violência: a violência ativa, praticada contra o outro através do uso da força física ou do aparelho repressivo do Estado e a violência passiva, que é cometida diariamente por cada ser humano, de forma consciente ou inconsciente.





