Passado algum tempo, tudo cai no esquecimento.
Não muitos meses atrás, o pessoal estava com medo de um vírus. A mídia quase tornou tudo um campo de guerra, era perigoso sair de casa. Logo o bafafá passou, o verão chegou e outras preocupações passaram a ocupar as mentes humanas. No entanto, todo Carnaval tem seu fim e outro inverno chega. Novamente a gripe A vai voltar às rodas de conversas.
A gripe causada pelo vírus H1N1, denominada vulgarmente de gripe suína devido à semelhança com um vírus encontrado em porcos, passou de seu clímax no país no fim do ano passado, após ter colocado o mundo numa recente ameaça de uma iminente pandemia. A reação intensa em torno da nova gripe se deu devido ao fato de ser um vírus novo entre humanos e para o qual o homem não apresenta imunidade, além de possuir alta transmissibilidade, de pessoa para pessoa.
Especialistas acreditavam que, assim que o Brasil entrasse na estação mais quente, os casos consistentemente diminuiriam, até desaparecerem. A expectativa era de que os países do hemisfério norte iniciassem o novo ciclo da doença, por isso foram produzidas vacinas e organizados estoques de medicamentos, para que os efeitos fossem minimizados. Ao que tudo indica, a situação ficou sob controle e agora chega a vez do Brasil iniciar as etapas de vacinação para grupos prioritários.
É característica da humanidade acreditar que detém o controle sobre o externo, crença que vez ou outra é colocada em prova, geralmente após fenômenos da natureza que se revelam imprevisíveis e ameaçadores. A luta contra microorganismos não-visíveis, mutáveis e extremamente transmissíveis é um dos combates contra ameaças naturais mais intensos no âmbito da ciência. Desde março de 2009, quando teve início o contágio da Influenza A, atitudes em alguns momentos consideradas desesperadas e em outros indispensáveis foram comuns. Alarde, informações controversas, coberturas midiáticas intensas, nem sempre baseadas em análises, mas em índices que disseminaram medo e dúvidas.
De fato, algumas características do vírus H1N1 fizeram com que a nova gripe tenha entrado para o rol de grandes mobilizações científicas das últimas décadas, semelhantemente ao que aconteceu com doenças como a poliomielite, a varíola, a malária, a AIDS, a SARS (Síndrome Respiratória Aguda Grave) e mais recentemente a gripe “aviária”.
Para a alegria de todos, os maiores temores, incertezas biológicas e previsões sobre número de casos e mortes nunca se materializaram, em muito devido aos avanços tecnológicos na área. No entanto, na disputa entre ciência e doença, a doença ainda está com vantagem, visto que para muitas ainda não houve a descoberta da cura.
Ed. 508 03/03/2010





