Algumas verdadeiras mentiras se confundem com algumas verdades mentidas. E quando não é possÃvel entender essa fusão ou quando uma está travestida da outra, cumpre-se que se desmascare primeiro a mentira porque no automático do desmascaramento a verdade aparece. Assim, das esparsas lembranças semeadas nos áridos e pedregosos terrenos das histórias inacabadas, as poucas saudades brotadas não resistiram aos mesmos raios de sol que vieram para fazer germinar frágeis vidas e esturricar fortes hipocrisias.
A improvável desilusão incomodando a consciência!
O sorriso mórbido fazendo graça e segurando o punhal.
As meninas dos olhos crescendo e crescendo e sendo. Só cegando. Sossegando.
A umidade embolorando os pensamentos.
A umidade embolorando os corações.
A umidade não embolorando as almas.
Vazio desconcertante.
Cérebro cortado pelo som.
Corcunda endireitada.
Pausa hilariante.
Olhar fossilizado.
Tempo perdido, tempo achado, tempo perdido, tempo achado.
Tempo tempo tempo tempo tempo tempo tempo tempo tempo.
Ter o quê?
Fragmentos de pensamentos soterrados.
Chuva umedecendo.
Esperanças umedecidas. Lembranças emboloradas.
Pétalas perdidas nos pântanos.
Bétulas esquecidas.
Tempo passando.
Tempo voando.
Tempo passado. Tempo limpo. Tempo ferro. Passado.
Idéias mirabolantes, verdades desconcertantes.
Desejos mitificados, petrificados.
Desejos mumificados.
Invenções encontradas no acaso.
Encontros inventados.
Explosões excrementadas.
Escaravelhos esplêndidos.
Visões distorcidas, naturezas vivas.
Ilusões de lógica... Ilusões de lógica!
DrapetomanÃaco incontrolável,
DrapetomanÃaco incorrigÃvel,
DrapetomanÃaco inaceitado,
DrapetomanÃaco intrépido,
DrapetomanÃaco intrincado,
DrapetomanÃaco invasivo, invasor,
invectivo, invejoso.
DrapetomanÃaco invejado.
Desejo, ilusão e fome.
Destino horizontalizado.
Tempo acabado.
ROBSON MIGUEL CAMARGO
Edição 479 - 29/07/2009





