Curvo-me diante ti, Senhora, percebo o abismo que sou e a fortaleza que és. Não consigo, nem poderia jamais conseguir, entender a força da tua serenidade.
Vivo o paradoxo revelador da mais humana das naturezas apontando para tudo o que se reconhece enquanto fragilidade de fé, incompletude de ser, pobreza de espÃrito.
No diálogo silencioso dos nossos olhares a revelação de tudo o que não sou e uma tristeza consciente de não ser... apenas não ser.
Como uma criança busco teu colo. Como uma criança sou aconchegado nele. Como uma criança insisto na permanência dessa felicidade ingênua, porque verdadeira. E na infantilidade do devaneio, o sonho tão impossivelmente real de fugir do teu aconchego e sentir tua mão a segurar pelo braço. E nesse embalo em que o tempo não conta, há que se saber que o melhor do mundo tem de começar em mim.
És, Senhora, a firme expressão da bondade divina. E fico imaginando a dor sentida por serdes tão brutalmente ofendida tantas vezes, quando a simples negação da tua existência é, por si só, uma explosão de sofrimento. Não pelo que revela de ignorância; de humanidade pérfida; de vazio. Mas pelo que revela do que o ser humano é capaz. Negar-te, é um triste direito humano. Ofender-te é uma infeliz manifestação de desamor. Quando se faz em nome daquele que te permitiu tamanha doçura, então, alinha-nos na miséria, na tristeza e na dor.
Sei que é muita pretensão te falar assim. No entanto, é a confirmação da infinitude do amor divino. Tenho que entender assim, para poder entender como me foi permitido (ao pior dos piores) essa manifestação. Portanto, Senhora, não receba isso, que eu nem sei dizer o que é, como um gesto de ousadia, mas como uma expressão verdadeira de quem te ama demais. Sério! Te percebo com uma nitidez incrÃvel no riso largo compartilhado. E te percebo, também, com a mesma nitidez, na lágrima silenciosa produzida pelo reconhecimento das contradições que bombardeiam a fé.
Que mistério essa tua presença. Que mistério essa tua força que se expressa com insustentável capacidade humana de serenidade. Que mistério essa busca na lógica e o encontraditório...
“Que força, que ternura, que doçura sente minha alma...â€. Eis a certeza de ti nesses caminhares. Presunção espiritual? Perdão. Imaturidade espiritual? Perdão. Confiança espiritual? Obrigado.
Sob o tÃtulo do Perpétuo Socorro acorres ao mundo e Santo Afonso rezou “a vós que sois a mãe do meu Senhor, a rainha do mundo a advogada, a esperança, o refúgio dos pecadores, recorro hoje eu que sou o mais miserável de todos.â€
Sob o tÃtulo de Aparecida, “espalhais inúmeros benefÃcios sobre todo o Brasil†e eu, embora indigno de ser chamado teu filho, mas totalmente dependente do teu olhar misericordioso, te louvo neste dia e bendigo ao Pai, por ti.
Como Senhora do Rocio, fostes aclamada Padroeira do Paraná e recebe a gratidão “de teus filhos todos que te louvam por tudo o que somos, por tudo o que temos e por tudo o que fomos chamados a ser.â€
Como Senhora da Luz, és a padroeira de Irati e, sob esse tÃtulo, lançai vossa luz protetora sobre todas as crianças e sobre todos aqueles que promovem a paz e a concórdia concedendo-lhes sabedoria e vontade para superar o ceticismo que torna a fé vulnerável.
Como Senhora do Silêncio, João Paulo II, inspirado pelo AltÃssimo, afirma que “estás revestida de fortaleza e resplandecem em ti a maturidade humana e a elegância espiritual. És Senhora de si mesma antes de ser Nossa Senhoraâ€. Mais, há o pedido de compreensão: “faz-me compreender que o apostolado sem silêncio é alienação e o silêncio sem apostolado é comodismoâ€.
Múltipla na Mãe do Céu. Única na Mulher da Terra.
Frágil na fé, incompleto no ser, pobre no espÃrito, percebo a carÃcia divina manifestada nas mãos da Senhora, que acolhem protegendo, e nos olhos da Senhora, que iluminam. Sempre. Curvo-me diante de ti Senhora.
Ed. 490 14/10/2009





